INJEÇÃO INTRAMUSCULAR
Introdução da medicação dentro do corpo utilizando o tecido muscular.
Para introdução de substância irritante com doses até 5 ml, o efeito é relativamente rápido, podendo a solução ser aquosa ou oleosa;
a seringa é de acordo com o volume a ser injetado;
A agulha varia de acordo com a idade, tela subcutânea e solubilidade da droga;
agulhas: 25x7/8, 30x7/8;
locais de aplicação: distantes vasos e nervos, musculatura desenvolvida, irritabilidade da droga (profunda), espessura do tecido adiposo, preferência do paciente.
Região Deltóide:
Traçar um retângulo na região lateral do braço iniciando de 3 a 5 cm do acrômio (3 dedos), o braço deve estar flexionado em posição anatômica;
Não pode ser com substâncias irritantes acima de 2 ml.
Região dorsoglútea:
Traçar linha partindo da espinha ilíaca póstero-superior até o grande trocânter do fêmur, puncionar acima desta linha (quadrante superior externo);
Em dorso lateral (DL): posição de Sims;
Em pé: fazer a contração dos músculos glúteos fazendo a rotação dos pés para dentro e braços ao longo do corpo.
Região ventroglútea (Hochsteter)
Colocar a mão E no quadril D, apoiando com o dedo indicador na espinha ilíaca ântero-superior D, abrir o dedo médio ao longo da crista ilíaca espalmando a mão sobre a base do grande trocânter do fêmur e formar com o dedo indicador um triângulo. Se a aplicação for feita do lado esquerdo do paciente, colocar o dedo médio na espinha ilíaca ântero-superior e afastar o indicador para formar o triângulo. A aplicação pode ser feita em ambos locais.
Região face ântero-lateral da coxa:
Retângulo delimitado pela linha média anterior e linha média lateral da coxa, de 12 a 15 cm abaixo do grande trocânter do fêmur e de 9 a 12 cm acima do joelho, numa faixa de 7 a 10 cm de largura;
Agulha curta: criança 15/20, adulto 25;
Angulação oblíqua de 45º em direção podálica;
Aplicação: pinçar o músculo com o polegar e o indicador, introduzir a agulha einjetar lentamente a medicação, retirar a aguhla rapidamente colocando um algodão, massagear levemente por uns instantes.
SAÚDE NO FOCO
sábado, 14 de agosto de 2010
ASSISTÊNCIA PRÉ NATAL
Durante a gestação a mulher deve ser orientada a procurar, o quanto antes, a assistência pré-natal, seja na rede SUS ou particular esclarecendo a importância das consultas, devendo seguir as recomendações e realizar os exames complementares necessários.
O que é ?
São todas as medidas dispensadas às gestantes, visando manter a integridade física do concepto sem afetar as condições físicas e psíquicas da mãe. Tem-se como objetivos básico do pré natal:
Preparar a mulher para a maternidade: instrução sobre o parto e puericultura;
Orientações sobre hábitos de vida: higiene pré natal;
Evitar o uso de medicações ou medidas que possam prejudicar o feto;
Tratar os pequenos distúrbios habituais à gravidez;
Fazer profilaxia , diagnóstico e tratamento de doenças próprias da gestação ou dela intercorrentes;
Orientar psicologicamente a gestante.
Suspeita-se do diagnóstico de gravidez através da presença de : história de amenorréia (ausência de menstruação) associada a presença de náuseas, sonolência, mudança do apetite, polaciúria.
Ao exame clínico observamos aumento do volume das mamas, amolecimento do colo e aumento do volume uterino.
A confirmação se dá, com identificação da fração Beta do HCG no soro materno já com 8 / 9 dias após a fertilização. A certeza da gravidez somente com ausculta ou visualização dos BCF.
Quais os cuidados pré natais?
Calendário de consultas: consultas mensais até 32 semanas de gestação, quinzenais até 36 semanas , e após, semanais.
O ideal é que a primeira consulta seja feita o mais precoce possível.
Estabelecer a DUM (primeiro dia da última menstruação) para estabelecer a DPP (data provável do parto), pela regra de Nagele, levando-se em conta os possíveis erros em decorrência ao uso de anovulatórios anteriormente ou a ciclos irregulares.
História clínica e obstétrica: avaliar as queixas, doenças anteriores ou intercorrentes, medicações utilizadas, gestações, abortos ou partos anteriores e complicações se houveram, antecedentes familiares de HAS, DM, colagenoses ou doenças genéticas, questionar sobre hábitos de alcoolismo ou fumo, atividades físicas.
Exame físico geral: inspeção da coloração das mucosas, ausculta cardíaca e pulmonar, pesquisar vísceromegalias a adenopatias.
Verificação da pressão arterial, após repouso físico e emocional e com paciente em posição sentada ou em decúbito lateral esquerdo. Medida do peso materno.
Exame gineco-obstétrico:avaliar o estado das mamas, palpação abdominal para identificar apresentação fetal após 30 semanas com manobras de Leopold-Zweifel.
Medida da Altura de fundo de útero (AFU) realizado para monitorar o crescimento fetal adequado com relação ao número de semanas de gestação , método acessível a todos os médicos.
Ausculta dos batimentos cardio-fetais com sonar Doppler após 11 /12 semanas , ou Pinnard após 18 / 20 semanas.
Exame especular com citologia cérvico vaginal e afastando qualquer vaginite ou cervicite.
Toque vaginal para estimar a idade gestacional de acordo com tamanho uterino, consistência do colo uterino, dilatação cervical e apresentação fetal.
Orientar a paciente com relação a dieta, higiene, sono, hábito intestinal, exercícios, vestuário, recreação, sexualidade, hábitos de fumo, álcool e drogas.
EXAMES COMPLEMENTARES DO PRÉ NATAL
Hemograma : objetivo de avaliar globulos vermelhos e brancos, podendo identificar presença ou não de anemia
Rastreamento do diabete gestacional: avaliado no início da gestação com glicemia da jejum e posteriormente em torno do quinto mês de gestação com teste de sobrecarga para glicose.
Imunofluorescência para toxoplasmose: recomendar a triagem sorológica na primeira consulta. Se a paciente com IgG+ e IgM- infecção pregressa, pré natal normal. Na presença de infecção aguda com IgM+ encaminhar ao setor de alto risco. No caso de paciente susceptível com IgG e IgM negativas , orientamos medidas higieno dietéticas (não comer carne e ovos mal cozidos, lavar bem frutas e verduras antes de ingeri-las, evitar contato com terra sem luva nas mãos , evitar contato com felinos) e também repetir sorologia a cada trimestre.
Rubéola:investigar o status imunológico da gestante até 19 semanas, após este período os danos fetais são raros. Toda gestante que apresente quadro clínico de rubéola ou contato com portadora de rubéola, deve ser investigada laboratorialmente o mais rápido possível. Na presença de infecção encaminhar ao serviço de gestação de alto risco. Quanto à melhor época para profilaxia com vacina é: vacinação de todas as crianças aos 18 meses de vida, de todas as mulheres em fase reprodutiva e que sejam sensíveis ( garantida a contracepção por 3 meses) e para todas as puérperas também sensíveis
Tipagem sanguínea: se gestante Rh- e parceiro Rh+ ou desconhecido, solicitar coombs indireto. Se este negativo, repetir mensalmente após 24 semanas e se positivo encaminhar ao PNAR. Gestante Rh- com parceiro Rh+ avaliar a possibilidade de utilização de imunoglobulina anti Rh com 28 semanas de idade gestacional por diminuir a possibilidade de sensibilização durante a gestação. Ver capítulo de imunização Rh.
Sorologia para Lues: utilizar o VDRL para triagem, este se negativo, repetir trimestralmente. No caso de positividade outro exame será solicitado por seu médico.
Anti HIV: solicitar o exame de rotina no início do pré natal e repeti-lo se houver a presença de algum fator de risco para contaminação durante a gestação.
Exame de urina: orientar sua realização mensalmente e urocultura na primeira consulta pré natal para diagnóstico de bacteriúria assintomática em decorrência de sua associação com pielonefrite na gravidez. A presença de hematúria, leucocitúria e nitritos positivo impõe a realização de urocultura. Presença de proteínas, associado ao edema e elevação dos níveis tensionais sugere pré eclâmpsia
HbsAg: recomenda-se a sorologia materna, para o vírus da hepatite B, no I trimestre de gestação ( nossa região não é endêmica) , como parte da rotina pré natal . Se este exame for positivo indica-se vacinaçào e uso de imunoglobulina para o recém nascido
USG: Exame de grande importância, solicitado tanto para avaliação do concepto, como também do líquido amniótico e placenta. No I trimestre feito através da via vaginal e daí em diante trans-abdominal. Mesmo em gestações normais, se possível, solicitar em torno , de 10, 20 e 36 semanas.
Atenção especial deve ser dado no sentido de identificar os fatores indicadores de RISCO desde o início da gestação e realizar nestes casos uma assistência multiprofissional de saúde, compreendendo obstetra, enfermeira, nutricionista, assistente social, psicólogo e clínico especializado.
Para tanto, é de suma importância, valorizar os antecedentes clínicos e obstétricos bem como estar atento às intercorrências na gestação atual.
NUTRIÇÃO MATERNA: Dentre as finalidades do pré-natal, ressalta-se a preocupação nutricional durante a gravidez. Não só no que tange à quantidade mas também no que se refere à qualidade dos alimentos ingeridos. É função do pré-natalista averiguar as condições nutritivas da gravidez, por ocasião da primeira consulta, e também, sugerir normas corretoras de eventuais desorientações alimentares (Lindblad, 1988).
Durante a gestação é necessário um maior aporte energético, se esta condição não é atendida haverá repercussões ominosas para o lado materno ou fetal.
A dieta há de ser hiperproteica, hipolipídica e hipoglicídica. A ingesta de pelo menos 1 litro de leite ao dia ou de seus derivados , provê quantidades adequadas de cálcio e vitamina D ( desenvolvimento do esqueleto fetal, discute-se como profilaxia da pré eclâmpsia).A carne e ovos são também indispensáveis, assim como legumes cozidos, verduras cruas e frutas frescas. Os condimentos podem ser usados estando atento ao exagero no sal.
Numa dieta adequada, o ferro é o único elemento que não apresenta-se em quantidade suficiente, havendo a necessidade de sua reposição a partir de 20 semanas (60 mg ferro elementar ao dia). Isto porque as reservas maternas são inadequadas em decorrência de perdas menstruais e gestações anteriores.
A suplementação vitamínica e sais minerais de rotina não é indicada, mas suas necessidades são providas em dietas adequadas.
A utilização do ácido fólico na dosagem de 4 mg ao dia (iniciado 1 mês antes e mantido até o terceiro mês de gestação) estaria indicado na profilaxia de defeitos do tubo neural nas mulheres, que previamente, tiveram recém nascidos com espinha bífida, encefalocele ou anencefalia. Hoje o CDC americano adota como medida de saúde pública a utilização de 400 microgramas da ácido fólico à toda mulher em idade fértil para a profilaxia destas patologias.
GANHO PONDERAL: O padrão característico é o acréscimo de peso cumulativo no I trimestre de 1 - 2 kg e depois, aumento de 0,3 – 0,5 kg por semana no II e III trimestres, totalizando 10 – 12 kg durante toda a gestação.
HIGIENE PRÉ –NATAL:
Exercícios: para a mulher, já acostumada aos exercícios aeróbicos antes da gestação, estes podem ser mantidos, mas não intensificando-os. Para as sedentárias, nada além de caminhadas a pé ou natação (estimulam a circulação, mantém tônus da musculatura abdominal e perineal, favorecem a função intestinal).
Trabalho: a atividade doméstica ou profissional não exagerada é permitida, no último mês é aconselhável a interrupção dos mesmos.
Viagens: desaconselham-se viagens aéreas após 36 semanas, da mesma forma que viagens de trem e ônibus quando muito longas , e de automóvel quando em pistas mau conservadas.
Asseio corporal: banho diário , evitando-se o banho de imersão quente prolongado ou sauna que predispõe à tonturas e desmaios. Atenção especial é dado à higiene gênito-anal em decorrência da maior umidade local, duchas vaginais são contra-indicadas. Cuidado com as mamas e prepará-las para o aleitamento. A escovação dos dentes e gengivas, bem como tratamento dentário se necessário, devem ser realizados.
Vestuário: as roupas devem ser práticas e confortáveis, preferência aos calçados sem saltos em virtude do equilíbrio alterado das grávidas. Utilização de porta seios, meias elásticas de média ou suave compressão para prevenir o aparecimento de varízes .Após 28 semanas, pode-se indicar a utilização de cintas de contenção abdominal.
Atividade sexual: nas gestantes sem queixas, o coito não é coibido. O mesmo é restringido em situações de ameaça de abortamento,rotura da bolsa das águas,trabalho parto prematuro, placenta prévea.
Imunizações: vacina de vírus vivo, mesmo atenuado, como sarampo, caxumba, rubéola são contra-indicados, e da febre amarela e poliomielite( Sabin ) é possível ser feita em vigência de epidemia ou viagem para área endêmica. As vacinações com vírus ou bactérias inativadas são permitidas, como Influenza, raiva, tétano, peste, tifo, cólera, pólio(Salk), pneumococo, hepatite B( se Hbs Ag- e paciente de alto risco). Não há contra-indicações para imunizações passiva contra difteria, tétano, hepatite B, raiva, hepatite A, sarampo.
Álcool: o alcoolismo crônico é determinante de mal formações congênitas como Síndrome fetal alcoólica ( microcefalia, desenvolvimento intelectual retardado ). Quando ingerido socialmente, em pequenas quantidades, não gera repercussões fetais.
Fumo: o hábito de fumar ( mais de 10 cigarros ao dia ) tem sido associado à abortamentos, partos prematuros e recém nascidos com baixo peso (Berkowitz,1988 ), portanto deve ser proibido.
Cafeína: não altera o desenvolvimento normal da gravidez ou leva a qualquer comprometimento do RN.
Drogas ilícitas: são prejudiciais ao feto.
Auto medicação: o obstetra deve informar à gestante, mais intensamente dos riscos nas primeiras 10 semanas, período de organogênese do feto.
Radiografia: devem ser evitados, especialmente aqueles com maior tempo de exposição ao Raio X, como os exames contrastados. O exame simples de extremidades e dentário , se necessário, com a devida proteção abdominal.
ORIENTAÇÕES PSICOLÓGICAS: Ao obstetra caberá as orientações no sentido de diminuir os episódios de ansiedade e depressão assim com como os sintomas psicossomáticos ( náuseas, vômitos , hiperemese )e encaminhar ao especialista se achar conveniente. Da mesma forma deverá prepará-la psico-fisicamente para o parto, fazendo com que participe de cursos para gestante.
Finalmente, o médico pré natalista deverá instruir sua paciente de como ocorre o trabalho de parto, do momento de procurar a maternidade, das vantagens que o parto normal representa sobre a cesareana, bem como orientá-las das medidas de higiene e contracepção a serem utilizadas no puerpério.
SINAIS E SINTOMAS COMUNS NA GESTAÇÃO
Introdução
A gravidez gera uma série de alterações anatômicas, fisiológicas e bioquímicas no organismo materno, que resultam em sinais e sintomas próprios. Alguns despertam apenas curiosidade, outros podem causar sintomas desagradáveis. Cabe ao pré-natalista a orientação, tranqüilização e a medicação quando necessário, para que a gravidez transcorra de maneira agradável.
O organismo materno sofre modificações para receber, nutrir, proteger, assim auxiliando no desenvolvimento e a oportuna expulsão do concepto.
Pele e anexos Calor
Ocorre um aumento da circulação cutânea, particularmente nos antebraços, mãos e pés. As mãos são pegajosas, e com freqüência a grávida queixa-se de calor, pois a temperatura cutânea se eleva.
Estrias
Aparecem geralmente após o 6* mês, são rupturas das fibras elásticas da pele, a principio vermelhas ou violáceas, com o tempo se tornando brancas., dificilmente desaparecem. Geralmente a região abdominal é a mais acometida, porém podem aparecer nas mamas, flancos, região lombar e sacra.
A aplicação de cremes próprios, em massagens circulares, tem ação discutível.
Linha Nigra e Melasma gravídica
O aumento da pigmentação cutânea aparece em 70% das grávidas, principalmente nas expostas ao sol, desde o 2* mês até o final da gravidez. A região mais acometida é da face, chamada de melasma gravídico, outros locais também são comuns, como a linha média do abdomem, denominada Linha Nigra. Esses aumentos da pigmentação costumam desaparecer ou diminuir após o parto. A prevenção e tratamento são discutíveis.
Acne e Hipertricose
O aparecimento de acne durante a gestação é comum. A hipertricose geralmente é discreta, porém algumas vezes pode se apresentar em excesso e com distribuição masculina. As unhas crescem numa velocidade maior, porém tornam-se quebradiças. O crescimento dos cabelos se acentua durante a gravidez, porém no puerpério é comum sua queda.
Aranhas vasculares e eritema palmar
Aranhas vasculares são alterações da micro circulação, que aparecem na face, pescoço, parte superior do tórax e braços. Ocorre em 2/3 das mulheres brancas e 1/10 das de origem negra. O eritema palmar é a hiperemia da palma das mãos, ocorre em 2/3 das mulheres brancas e 1/3 das mulheres de origem negra, com aparecimento a partir do 2* mês. Não tem significado clínico e desaparecem após o parto.
Vagina e períneo
Ocorre aumento da vascularização e da pigmentação do períneo. A secreção vaginal aumenta, e a vagina adquire a cor violácea.
Mamas
Aumento no tamanho e na sensibilidade logo nas primeiras semanas de gravidez. O uso de sutiã firme 24horas por dia, associada à compressas frias, são medidas efetivas para aliviar a mastalgia. A aréola aumenta sua pigmentação e o mamilo aumenta seu tamanho, ocorrendo também hipertrofia das glândulas sebáceas em volta do mamilo. Após 16 semanas pode aparecer o colostro.
Sistema de locomoção
Postura e deambulação
O aumento do volume e peso uterino e das mamas, muda o centro de gravidade, levando a uma lordose progressiva. As pernas se abrem aumentando a base, resultando na marcha anserina.
Dores lombares
Devido as alterações posturais e aumento da mobilidade das articulações causada pela relaxina, que é produzida pela placenta, podem aparecer dores lombares de variável intensidade.
Recomenda-se repouso várias vezes ao dia, em decúbito lateral esquerdo, associado a calor local, massagens, e se necessário, uso de analgésicos como o paracetamol 750mg VO 6/6hs.
Dores em baixo ventre
Pressão do peso uterino sobre a musculatura do parede abdominal, pelves e bexiga. Diferenciar das contrações uterinas.
Repouso em decúbito lateral esquerdo, uso de analgésicos.
Cãibras
Queixa de 30% das grávidas na segunda metade da gravidez, caracterizada por uma contratura muscular, principalmente nos membros inferiores, mais freqüentes a noite e mais acentuadas nas portadoras de varizes. Causada por baixos níveis sangüíneos de cálcio e altos níveis de fósforo.
Aumento da ingesta de líquidos, calor local e alongamento são medidas efetivas. Evitar o fosfato de cálcio, presente no leite, fornecendo outras fontes de cálcio, ou associando hidróxido de alumínio 8mls antes das principais refeições, que aumenta a absorção do cálcio e diminui a absorção do fosfato.
Desconforto nas mãos
Afetando 5% das grávidas, a sensação de dormência, fraqueza muscular e formigamento nas mãos, é causada pela distensão do plexo braquial, resultado da alteração na cintura escapular, causado pela lordose. Ocorre mais a noite e pela manhã, e pode persistir após o parto, pelo esforço ao carregar o bebê.
Sistema digestivo
Salivação excessiva
Aumento da salivação não é confirmada por alguns autores, e a produção de 1 a 2 litros de saliva por dia, é mantida durante a gestação, porém a dificuldade da grávida nauseada de engolir sua saliva, pode gerar a queixa. Ocorre também um aumento na incidência de cáries, pela redução do PH da saliva. Hipertrofia, hiperemia e aumento da fragilidade gengival, também aparecem, e a consulta odontológica deve ser recomendada.
Fome e sede
Há um aumento do apetite e da sede em mais da metade das gestantes, iniciando no primeiro trimestre e persistindo por toda gravidez. Alimentação fracionada, rica em frutas e verduras devem ser incentivadas. .
Pica
Mudanças qualitativas no hábito alimentar, atingem 70% das grávidas. Ocorre uma preferência por frutas ácidas, alimentos condimentados e outros, aversão a café, chá e frituras, também são comuns.
Vontade de ingerir alimentos sem valor nutritivo, ou a perversão do apetite, é admitido por algumas grávidas.
Náuseas e vômitos
São freqüentes até o final do 1*trimestre, geralmente pela manhã e melhorando com o transcorrer do dia, presente em 50-70% das grávidas e principalmente nas primigestas. Pode retornar ao final da gravidez, pelo fator compressão.
Diferenciar da hiperemese gravídica, pela presença de perda ponderal significativa e distúrbio hidroeletrolítico.
O tratamento consiste na alimentação mais freqüente e em menor quantidade, rica em carbohidratos secos, e a água deve ser ingerida no intervalos das refeições; suporte emocional também é recomendado. Cloridrato de Metoclopramida 10mg VO de 6/6hs, Dimenidrato 100mg VO de 6/6hs, entre outras drogas, podem ser utilizadas.
Azia
Queixa de 30 a 50% das grávidas, pode aparecer desde o primeiro trimestre. O refluxo da secreção gástrica para o esôfago ocorre pela diminuição da pressão, da peristalse e do tônus do esôfago, e ao final da gravidez, pela compressão e alteração da posição do estômago.
Fracionar as refeições, diminuir a quantidade, não deitar logo após as refeições e elevar a cabeceira da cama, são as recomendações. Os anti-ácidos tem valor questionável, já que a secreção ácida do estômago está diminuída.
Prisão de ventre e gases
Ocorrem devido à diminuição do tônus da musculatura lisa e da diminuição da motilidade intestinal, que são consequências da ação hormonal e compressão uterina.
Aumento da ingesta de líquidos e fibras devem ser incentivados.
Sistema circulatório
Desmaios e tonturas
Principalmente entre 12-26semanas, ocorre um seqüestro de sangue na pelves, abdomem e membros inferiores, e também uma diminuição da resistência vascular periférica, levando a hipotensão e diminuição do fluxo cerebral, que se associado à hipoglicemia piora o quadro, resultando em tontura, cefaléia e desmaio.
Repouso em decúbito lateral esquerdo, ou com os membros inferiores elevados e refeições mais freqüentes ajudam a diminuir a ocorrência.
Taquicardia e palpitação
O aumento do débito cardíaco, através do aumento da freqüência e do volume sistólico, podem gerar um sopro sistólico, extra-sístoles e palpitações.
Varizes
Devido a ação hormonal e compressão uterina sobre as veias do abdomem, aparecem as varizes nas pernas ou na vulva. O tratamento visa evitar ficar longos períodos em pé, repouso com as pernas elevadas e uso de meias elásticas.
Hemorróidas
Ocorre pela compressão uterina e ação hormonal sobre o plexo hemorroidário, que piora com a constipação. Regridem no pós-parto.
Edema de membros inferiores
O edema ocorre principalmente no final da gravidez, limitado aos tornozelos, e causado pelo mesmo mecanismo que as varizes, devido ao extravasamento de líquidos intravascular para o interstício. Na presença de edema generalizado, afastar Pré-eclampsia. A prevenção é a mesma recomendada nas varizes, e os diuréticos são contra-indicados.
Hipotensão supina (deitado com barriga para cima)
Na segunda metade da gravidez, na posição supina, o útero comprime a veia cava, diminuindo o retorno venoso e o débito cardíaco, que em 10% das grávidas resulta em uma redução maior ou igual a 30% da pressão sistólica, levando a um reflexo vaso-vagal com bradicardia e hipotensão.
Sistema Respiratório
Sangramento nasal e alterações da voz
Desde o inicio da gravidez ocorre uma dilatação capilar de todo trato respiratório, resultando em mudanças na voz, obstrução nasal e sangramento nasal.
Falta de ar
A falta de ar é uma queixa de 60 a 70% das grávidas. Durante a gravidez ocorre um aumento de 20 a 30% no consumo de oxigênio, compensado por uma respiração mais profunda, que aumenta o esforço respiratório. A redução da capacidade de difusão e a elevação do diafragma pelo crescimento uterino, também contribuem para agravar a sensação de falta de ar da grávida.
Sistema Urinário
Aumento da frequência urinária o aumento do fluxo plasmático e da filtração glomerular, que está presente desde o inicio da gravidez, resulta em aumento do débito urinário, que chega a um acréscimo de 50% no inicio do 2*trimestre. A compressão uterina sobre a bexiga, que se acentua após 16 semanas de gravidez, diminui a capacidade vesical, aumentando assim a freqüência urinária. Ocorre também uma diminuição da pressão intra-uretral, que resulta em perda urinária involuntária. Diferenciar de bolsa rota.
Sistema nervoso
Enxaqueca e Depressão
Aparecimento ou piora das crises de enxaqueca se devem a um aumento da retenção líquida, e analgésicos podem ser utilizados, como Paracetamol 750mg VO até de 4/4 horas. Depressão e outros distúrbios psíquicos são resultados das alterações bioquímicas da gravidez . Sonolência, fadiga e perda da memória tambem são queixas comuns.
SÍNDROMES HIPERTENSIVAS
patologia clínica mais frequente da gestação, e junto com infecções e hemorragia formam tríade responsável por grande obituário materno e fetal.
Atualmente , há a tendência em considerar como hipertensão na gravidez pressão arterial maior ou igual a 140X90 mmhg, ou elevações nos níveis pressóricos de pelo menos 30 mmhg na pressão arterial sistólica e/ou 15 mmhg na pressão arterial diastólica não importando quais os valores absolutos alcançados.
As síndromes hipertensivas compreendem duas entidades clínicas de etiologia completamente diferente, a primeira denominada hipertensão induzida pela gravidez ou pré-eclâmpsia (DHEG) e outra é a hipertensão crônica que coincide com a gestação. Aquela deve estar associada à proteinúria e ao edema e em quadros graves associar-se à crises convulsivas denominada então de eclâmpsia.
DOENÇA HIPERTENSIVA ESPECÍFICA DA GESTAÇÃO (DHEG):
Aparece normalmente após 20 semanas de gestação exceto nas gestações molares onde pode ser mais precoce . Etiologia não definida mas parece que em decorrência de placentacão anormal ,alterações imunológicas por não adaptação materna ao tecido trofoblástico em implantação ou herança genética.
ECLÂMPSIA:
É o aparecimento de crises convulsivas em pacientes com pré eclâmpsia
Frente a uma paciente com pré eclâmpsia nós iremos adotar a conduta conforme a gravidade da doença e idade gestacional da paciente . Estando o feto com idade gestacional avançada vamos interromper às gestações e em gestações prematuras estas pacientes permanecerão internadas para controle clínico na tentativa de prolongar ao máximo a gestação, contribuindo para diminuir as complicações inerentes à prematuridade
DIABETES MELLITUS GESTACIONAL
DMG( Diabetes Mellitus Gestacional )é definida como uma intolerância a carbohidratos de severidade variável que é reconhecida durante a gravidez, independente da glicemia mantida após o parto.
Fatores de risco
Obesidade (mais que 20% do seu peso ideal)
Parente de primeiro grau com diabetes
Grupo étnico de alto risco (Africano, Hispânico, Nativo
Americano, Asiático )
Parto de feto maior que 4000g .
Hipertensão (pressão maior que 140/90 )
HDL colesterol < = 35mg/dl ou triglicerídios >=250 mg/dl
Tolerancia diminuida a glicose (Glicemia de jejum 110-126)
Rastreamento:
Glicemia de jejum na primeira consulta
Realizar TTOG 50 (teste sobrecarga oral de glicose )em todas as pacientes com 24 –28 semanas de
gestação
Diagnóstico:
Tolerancia diminuida a glicose 110-126mg/dl
Glicemia de jejum (mínimo 12 horas) excedendo 126mg/dl
TTOG 50 Maior ou igual a 186mg/dl
TTOG 100 com pelo menos 2 pontos alterados
TTOG 100 O, Sullivan/Mahan (valores normais)
Jejum 105 mg/dl
1h 190 mg/dl
2h 165mg/dl
3h 145mg /dl
Conduta:
3. 1. Internação
4. 2. Dietoterapia por 3 dias
3. Exames complementares
4. Utilização de insulina se necessário.
5. Exercícios físicos
Após controle adequado dos níveis glicêmicos a paciente continuará seu pré natal em serviço de gestação de alto risco
Complicações Maternas:
Distúrbios hipertensivos durante a gestação
Edema
Infecções do rim
Aumento volume liquido amniótico
Trabalho de parto pré termo
Hipoglicemia
Relação Hiperglicemia / Complicações Fetais:
1o Trimestre : Malformação congênita (SNC,
esqueléticas,cardiovascular,trato digestivo, renal)
2o Trimestre : diminuição de desenvolvimento intelectual ,complicações
e outras complicações fetais
3o Trimestre : macrossomia (feto grande), RCIU.
ALTERAÇÕES DO VOLUME DO LÍQUIDO AMNIÓTICO
POLIDRÂMNIO
É o excesso na quantidade do líquido amniótico (LA) estando associado à complicações perinatais. Classicamente é caracterizado quando o volume do LA é superior a 2000 ml, sua incidência é de 0,4% a 1,5% das gestações.
Os fatores etiológicos normalmente relacionados são anomalias fetais, patologias maternas e placentárias.
Anomalias fetais obstruções do trato digestivo, anomalias do SNC, congênitas, esqueléticas, cardíacas, infecções por rubéola, sífilis, toxoplasmose, enttre outras.
Patologias maternas diabete melito, aloimunização
Patologias placentárias Síndrome transfusor-transfundido, corangioma, placenta circunvalada.
Suspeitamos do diagnóstico quando a altura de fundo de útero ultrapassa a esperada para determinada idade gestacional e confirmamos o mesmo com a ultrassonografia.
Para tratamento devemos tratar a causa básica, inibição do trabalho de parto prematuro se instalado, situações especiais poderemos utilizar indometacina e esvaziamento do polidrâmnio .
OLIGOÂMNIO
É conceituado como diminuição na quantidade de líquido amniótico (LA). Sua incidência é estimada entre 0,5% a 5,5%.Caracterizado por volume de LA inferior a 300-400 ml.
O diagnóstico é confirmado através da ultrassonografia , mesmo com este exame existem dificuldades na quantificação exata do volume de LA durante a gestação.
As patologias mais frequentemente envolvidas com diminuição do LA são:
Patologias fetais CIUR (crescimento fetal retardado intrautero) , anomalias renais, cromossomopatias
Patologias maternas doenças hipertensivas, doenças do colágeno, DM, drogas (indometacina)
Patologias placentárias descolamento prematuro da placenta .
Para tratamento, indicamos a interrupção da gestação em situações com maturidade fetal. Em prematuros temos preconizado a internação da gestante para avaliação de vitalidade fetal, o repouso adequado também melhora o volume do LA, permitindo a postergação da resolução obstétrica.
TRABALHO DE PARTO PREMATURO
É caracterizado pelo aparecimento de contrações uterinas , que ocorrem após 20 semanas e antes de 37 semanas de idade gestacional, segundo OMS, estas contrações devem ser de pelo menos uma a cada 10 minutos e com capacidade para determinar modificações plásticas no colo do útero.
O fator causador do trabalho de parto prematuro é desconhecido portanto são vários os fatores predisponentes como: desnutrição, idade materna, tabagismo, alcoolismo, anomalias uterinas, amniorrexe prematura, gestação gemelar, polidrâmnio, óbito fetal, estados hipertensivos, infecção urinária e genital.
Para tratamento paciente é mantida em repouso, deitada lado esquerdo do corpo, que diminui as contrações e melhora a circulação útero placentária , utilizamos infusão venosa de soro glicosado e medicação para inibição das contrações uterinas (salbutamol, terbutalina, ritodrina, indometacina, outras)
ROTURA PREMATURA DAS MEMBRANAS AMNIÓTICAS
É a rotura das membranas amnióticas que ocorre antes do início do trabalho de parto em qualquer fase da gestação, a incidência é em torno de 10% das gestações.
A causa ainda não foi totalmente esclarecida, mas acredita-se que sejam mecanismos inflamatórios e infecciosos envolvidos.
Conduta - nas gestações acima de 34 sem. procuramos interromper a gravidez, pois a maioria dos fetos já atingiram a maturidade pulmonar.
- Gestações entre 24-34 sem. adotaremos uma conduta expectante, verificando o bem estar fetal, investigando constantemente qualquer sinal de infecção na mãe e ou feto, utilizamos nesta gestantes corticóide que vão auxiliar no amadurecimento do pulmão do feto. A gestação será interrompida quando atingida a 34* sem. ou com qualquer sinal de sofrimento fetal ou infecção intrauterina.
- gestações inferiores a 24 sem. é questionável aguardar a evolução da gravidez em virtude do grande número de complicações que podem acometer mãe e filho como infecções e hipoplasia pulmonar fetal. Nesta situação discute-se claramente com a família os riscos frequentes de complicações.
PRENHEZ ECTÓPICA
Quando o ovo se implanta fora da cavidade corporal do útero, portanto em posição intra-uterina anômala, trompas uterinas, ovário ou abdomen materno.
Incidência varia 0,3-1% das gestações.
São considerados fatores de risco para gravidez ectópica : antecedentes de doença inflamatória pélvica, gravidez após falha de dispositivo intra-uterino (DIU), ou minipílula, antecedente de cirurgia tubária, antecedente de prenhez ectópica, gravidez após reprodução assistida.
A prenhez tubária representa 98-99% das gestações ectópicas e nestas , principalmente a região ístmica ou ampular das trompas.
Diagnóstico: clínico :atraso menstrual, dor abdominal, sangramento vaginal, massa anexial com dor à sua mobilização, associado à níveis de BhCG positivo e também imagem ultrassonografica de massa, saco gestacional ou até mesmo embrião em topografia extrauterina na grande maioria das vezes chegaremos a um dignóstico conclusivo desta patologia.
Tratamento : na presença de rotura tubária o tratamento consiste na retirada da trompa afetada e em situações onde a trompa encontra-se íntegra sem desejo de gestação futura também opta-se pela cirurgia, e naquelas pacientes que querem preservar suas trompas adota-se tratamento com medicação quimioterápica.
PLACENTA PRÉVIA
É a implantação de qualquer parte da placenta em segmento inferior do útero após 28 semanas de idade gestacional , com incidência de 0,5-1% das gestações.
Fatores etiológicos importantes da placenta prévia são vascularização deficiente em sítios normais de implantação da placenta, placentas grandes fazendo com que partes da mesma situem-se em regiões uterina inferior ,assim como idade materna avançada, multiparidade, curetagens repetidas, cirurgias uterinas e cesáreas anteriores aumentam o risco desta patologia.
Diagnóstico : sangramento genital vermelho vivo, indolor, sem causa aparente, que tende a ser de forma repetida e que vai se agravando, a conclusão diagnóstica é dada com realização da ultrassonografia confirmando a posição baixa desta placenta.
Para o nascimento , se a placenta obstruir completamente o canal do colo do útero deverá ser realizado a cesareana e em situações de obstrução parcial não há contra indicações para o parto normal.
DESCOLAMENTO PREMATURO DA PLACENTA
É a separação da placenta normalmente implantada no corpo uterino em gestação acima de 20 semanas e antes da expulsão fetal. Incidência varia de 1/86 a 1/200 das gestações sendo uma das mais graves complicações obstétricas e responsável por 15-25% de todas as mortes perinatais.
Fatores predisponentes : síndromes hipertensivas , traumas abdominais externos, tumor e malformação uterina, uso de drogas, fumo, descompressão uterina abrupta (após o esvaziamento do polidrâmnio , expulsão do primeiro feto na gestação múltipla).
Diagnóstico: basicamente clínico, caracterizado por dor abdominal abrupta de forte intensidade, sangramento vaginal, parada dos movimentos fetais, associado a sinais de hipovolemia , aumento do tônus uterino, alteração dos batimentos cárdio fetais. Ultrassonografia pode ajudar no dignóstico se identificar o coágulo retroplacentário.
Em situações onde o feto encontra-se vivo interromperemos a gestação da forma mais rápida normalmente por cesareana. No óbito fetal o parto vaginal deverá ser acelerado. Tendo-se sempre em vista o bem estar materno com reposição volêmica , assim como fatores de coagulação se necessário.
Durante a gestação a mulher deve ser orientada a procurar, o quanto antes, a assistência pré-natal, seja na rede SUS ou particular esclarecendo a importância das consultas, devendo seguir as recomendações e realizar os exames complementares necessários.
O que é ?
São todas as medidas dispensadas às gestantes, visando manter a integridade física do concepto sem afetar as condições físicas e psíquicas da mãe. Tem-se como objetivos básico do pré natal:
Preparar a mulher para a maternidade: instrução sobre o parto e puericultura;
Orientações sobre hábitos de vida: higiene pré natal;
Evitar o uso de medicações ou medidas que possam prejudicar o feto;
Tratar os pequenos distúrbios habituais à gravidez;
Fazer profilaxia , diagnóstico e tratamento de doenças próprias da gestação ou dela intercorrentes;
Orientar psicologicamente a gestante.
Suspeita-se do diagnóstico de gravidez através da presença de : história de amenorréia (ausência de menstruação) associada a presença de náuseas, sonolência, mudança do apetite, polaciúria.
Ao exame clínico observamos aumento do volume das mamas, amolecimento do colo e aumento do volume uterino.
A confirmação se dá, com identificação da fração Beta do HCG no soro materno já com 8 / 9 dias após a fertilização. A certeza da gravidez somente com ausculta ou visualização dos BCF.
Quais os cuidados pré natais?
Calendário de consultas: consultas mensais até 32 semanas de gestação, quinzenais até 36 semanas , e após, semanais.
O ideal é que a primeira consulta seja feita o mais precoce possível.
Estabelecer a DUM (primeiro dia da última menstruação) para estabelecer a DPP (data provável do parto), pela regra de Nagele, levando-se em conta os possíveis erros em decorrência ao uso de anovulatórios anteriormente ou a ciclos irregulares.
História clínica e obstétrica: avaliar as queixas, doenças anteriores ou intercorrentes, medicações utilizadas, gestações, abortos ou partos anteriores e complicações se houveram, antecedentes familiares de HAS, DM, colagenoses ou doenças genéticas, questionar sobre hábitos de alcoolismo ou fumo, atividades físicas.
Exame físico geral: inspeção da coloração das mucosas, ausculta cardíaca e pulmonar, pesquisar vísceromegalias a adenopatias.
Verificação da pressão arterial, após repouso físico e emocional e com paciente em posição sentada ou em decúbito lateral esquerdo. Medida do peso materno.
Exame gineco-obstétrico:avaliar o estado das mamas, palpação abdominal para identificar apresentação fetal após 30 semanas com manobras de Leopold-Zweifel.
Medida da Altura de fundo de útero (AFU) realizado para monitorar o crescimento fetal adequado com relação ao número de semanas de gestação , método acessível a todos os médicos.
Ausculta dos batimentos cardio-fetais com sonar Doppler após 11 /12 semanas , ou Pinnard após 18 / 20 semanas.
Exame especular com citologia cérvico vaginal e afastando qualquer vaginite ou cervicite.
Toque vaginal para estimar a idade gestacional de acordo com tamanho uterino, consistência do colo uterino, dilatação cervical e apresentação fetal.
Orientar a paciente com relação a dieta, higiene, sono, hábito intestinal, exercícios, vestuário, recreação, sexualidade, hábitos de fumo, álcool e drogas.
EXAMES COMPLEMENTARES DO PRÉ NATAL
Hemograma : objetivo de avaliar globulos vermelhos e brancos, podendo identificar presença ou não de anemia
Rastreamento do diabete gestacional: avaliado no início da gestação com glicemia da jejum e posteriormente em torno do quinto mês de gestação com teste de sobrecarga para glicose.
Imunofluorescência para toxoplasmose: recomendar a triagem sorológica na primeira consulta. Se a paciente com IgG+ e IgM- infecção pregressa, pré natal normal. Na presença de infecção aguda com IgM+ encaminhar ao setor de alto risco. No caso de paciente susceptível com IgG e IgM negativas , orientamos medidas higieno dietéticas (não comer carne e ovos mal cozidos, lavar bem frutas e verduras antes de ingeri-las, evitar contato com terra sem luva nas mãos , evitar contato com felinos) e também repetir sorologia a cada trimestre.
Rubéola:investigar o status imunológico da gestante até 19 semanas, após este período os danos fetais são raros. Toda gestante que apresente quadro clínico de rubéola ou contato com portadora de rubéola, deve ser investigada laboratorialmente o mais rápido possível. Na presença de infecção encaminhar ao serviço de gestação de alto risco. Quanto à melhor época para profilaxia com vacina é: vacinação de todas as crianças aos 18 meses de vida, de todas as mulheres em fase reprodutiva e que sejam sensíveis ( garantida a contracepção por 3 meses) e para todas as puérperas também sensíveis
Tipagem sanguínea: se gestante Rh- e parceiro Rh+ ou desconhecido, solicitar coombs indireto. Se este negativo, repetir mensalmente após 24 semanas e se positivo encaminhar ao PNAR. Gestante Rh- com parceiro Rh+ avaliar a possibilidade de utilização de imunoglobulina anti Rh com 28 semanas de idade gestacional por diminuir a possibilidade de sensibilização durante a gestação. Ver capítulo de imunização Rh.
Sorologia para Lues: utilizar o VDRL para triagem, este se negativo, repetir trimestralmente. No caso de positividade outro exame será solicitado por seu médico.
Anti HIV: solicitar o exame de rotina no início do pré natal e repeti-lo se houver a presença de algum fator de risco para contaminação durante a gestação.
Exame de urina: orientar sua realização mensalmente e urocultura na primeira consulta pré natal para diagnóstico de bacteriúria assintomática em decorrência de sua associação com pielonefrite na gravidez. A presença de hematúria, leucocitúria e nitritos positivo impõe a realização de urocultura. Presença de proteínas, associado ao edema e elevação dos níveis tensionais sugere pré eclâmpsia
HbsAg: recomenda-se a sorologia materna, para o vírus da hepatite B, no I trimestre de gestação ( nossa região não é endêmica) , como parte da rotina pré natal . Se este exame for positivo indica-se vacinaçào e uso de imunoglobulina para o recém nascido
USG: Exame de grande importância, solicitado tanto para avaliação do concepto, como também do líquido amniótico e placenta. No I trimestre feito através da via vaginal e daí em diante trans-abdominal. Mesmo em gestações normais, se possível, solicitar em torno , de 10, 20 e 36 semanas.
Atenção especial deve ser dado no sentido de identificar os fatores indicadores de RISCO desde o início da gestação e realizar nestes casos uma assistência multiprofissional de saúde, compreendendo obstetra, enfermeira, nutricionista, assistente social, psicólogo e clínico especializado.
Para tanto, é de suma importância, valorizar os antecedentes clínicos e obstétricos bem como estar atento às intercorrências na gestação atual.
NUTRIÇÃO MATERNA: Dentre as finalidades do pré-natal, ressalta-se a preocupação nutricional durante a gravidez. Não só no que tange à quantidade mas também no que se refere à qualidade dos alimentos ingeridos. É função do pré-natalista averiguar as condições nutritivas da gravidez, por ocasião da primeira consulta, e também, sugerir normas corretoras de eventuais desorientações alimentares (Lindblad, 1988).
Durante a gestação é necessário um maior aporte energético, se esta condição não é atendida haverá repercussões ominosas para o lado materno ou fetal.
A dieta há de ser hiperproteica, hipolipídica e hipoglicídica. A ingesta de pelo menos 1 litro de leite ao dia ou de seus derivados , provê quantidades adequadas de cálcio e vitamina D ( desenvolvimento do esqueleto fetal, discute-se como profilaxia da pré eclâmpsia).A carne e ovos são também indispensáveis, assim como legumes cozidos, verduras cruas e frutas frescas. Os condimentos podem ser usados estando atento ao exagero no sal.
Numa dieta adequada, o ferro é o único elemento que não apresenta-se em quantidade suficiente, havendo a necessidade de sua reposição a partir de 20 semanas (60 mg ferro elementar ao dia). Isto porque as reservas maternas são inadequadas em decorrência de perdas menstruais e gestações anteriores.
A suplementação vitamínica e sais minerais de rotina não é indicada, mas suas necessidades são providas em dietas adequadas.
A utilização do ácido fólico na dosagem de 4 mg ao dia (iniciado 1 mês antes e mantido até o terceiro mês de gestação) estaria indicado na profilaxia de defeitos do tubo neural nas mulheres, que previamente, tiveram recém nascidos com espinha bífida, encefalocele ou anencefalia. Hoje o CDC americano adota como medida de saúde pública a utilização de 400 microgramas da ácido fólico à toda mulher em idade fértil para a profilaxia destas patologias.
GANHO PONDERAL: O padrão característico é o acréscimo de peso cumulativo no I trimestre de 1 - 2 kg e depois, aumento de 0,3 – 0,5 kg por semana no II e III trimestres, totalizando 10 – 12 kg durante toda a gestação.
HIGIENE PRÉ –NATAL:
Exercícios: para a mulher, já acostumada aos exercícios aeróbicos antes da gestação, estes podem ser mantidos, mas não intensificando-os. Para as sedentárias, nada além de caminhadas a pé ou natação (estimulam a circulação, mantém tônus da musculatura abdominal e perineal, favorecem a função intestinal).
Trabalho: a atividade doméstica ou profissional não exagerada é permitida, no último mês é aconselhável a interrupção dos mesmos.
Viagens: desaconselham-se viagens aéreas após 36 semanas, da mesma forma que viagens de trem e ônibus quando muito longas , e de automóvel quando em pistas mau conservadas.
Asseio corporal: banho diário , evitando-se o banho de imersão quente prolongado ou sauna que predispõe à tonturas e desmaios. Atenção especial é dado à higiene gênito-anal em decorrência da maior umidade local, duchas vaginais são contra-indicadas. Cuidado com as mamas e prepará-las para o aleitamento. A escovação dos dentes e gengivas, bem como tratamento dentário se necessário, devem ser realizados.
Vestuário: as roupas devem ser práticas e confortáveis, preferência aos calçados sem saltos em virtude do equilíbrio alterado das grávidas. Utilização de porta seios, meias elásticas de média ou suave compressão para prevenir o aparecimento de varízes .Após 28 semanas, pode-se indicar a utilização de cintas de contenção abdominal.
Atividade sexual: nas gestantes sem queixas, o coito não é coibido. O mesmo é restringido em situações de ameaça de abortamento,rotura da bolsa das águas,trabalho parto prematuro, placenta prévea.
Imunizações: vacina de vírus vivo, mesmo atenuado, como sarampo, caxumba, rubéola são contra-indicados, e da febre amarela e poliomielite( Sabin ) é possível ser feita em vigência de epidemia ou viagem para área endêmica. As vacinações com vírus ou bactérias inativadas são permitidas, como Influenza, raiva, tétano, peste, tifo, cólera, pólio(Salk), pneumococo, hepatite B( se Hbs Ag- e paciente de alto risco). Não há contra-indicações para imunizações passiva contra difteria, tétano, hepatite B, raiva, hepatite A, sarampo.
Álcool: o alcoolismo crônico é determinante de mal formações congênitas como Síndrome fetal alcoólica ( microcefalia, desenvolvimento intelectual retardado ). Quando ingerido socialmente, em pequenas quantidades, não gera repercussões fetais.
Fumo: o hábito de fumar ( mais de 10 cigarros ao dia ) tem sido associado à abortamentos, partos prematuros e recém nascidos com baixo peso (Berkowitz,1988 ), portanto deve ser proibido.
Cafeína: não altera o desenvolvimento normal da gravidez ou leva a qualquer comprometimento do RN.
Drogas ilícitas: são prejudiciais ao feto.
Auto medicação: o obstetra deve informar à gestante, mais intensamente dos riscos nas primeiras 10 semanas, período de organogênese do feto.
Radiografia: devem ser evitados, especialmente aqueles com maior tempo de exposição ao Raio X, como os exames contrastados. O exame simples de extremidades e dentário , se necessário, com a devida proteção abdominal.
ORIENTAÇÕES PSICOLÓGICAS: Ao obstetra caberá as orientações no sentido de diminuir os episódios de ansiedade e depressão assim com como os sintomas psicossomáticos ( náuseas, vômitos , hiperemese )e encaminhar ao especialista se achar conveniente. Da mesma forma deverá prepará-la psico-fisicamente para o parto, fazendo com que participe de cursos para gestante.
Finalmente, o médico pré natalista deverá instruir sua paciente de como ocorre o trabalho de parto, do momento de procurar a maternidade, das vantagens que o parto normal representa sobre a cesareana, bem como orientá-las das medidas de higiene e contracepção a serem utilizadas no puerpério.
SINAIS E SINTOMAS COMUNS NA GESTAÇÃO
Introdução
A gravidez gera uma série de alterações anatômicas, fisiológicas e bioquímicas no organismo materno, que resultam em sinais e sintomas próprios. Alguns despertam apenas curiosidade, outros podem causar sintomas desagradáveis. Cabe ao pré-natalista a orientação, tranqüilização e a medicação quando necessário, para que a gravidez transcorra de maneira agradável.
O organismo materno sofre modificações para receber, nutrir, proteger, assim auxiliando no desenvolvimento e a oportuna expulsão do concepto.
Pele e anexos Calor
Ocorre um aumento da circulação cutânea, particularmente nos antebraços, mãos e pés. As mãos são pegajosas, e com freqüência a grávida queixa-se de calor, pois a temperatura cutânea se eleva.
Estrias
Aparecem geralmente após o 6* mês, são rupturas das fibras elásticas da pele, a principio vermelhas ou violáceas, com o tempo se tornando brancas., dificilmente desaparecem. Geralmente a região abdominal é a mais acometida, porém podem aparecer nas mamas, flancos, região lombar e sacra.
A aplicação de cremes próprios, em massagens circulares, tem ação discutível.
Linha Nigra e Melasma gravídica
O aumento da pigmentação cutânea aparece em 70% das grávidas, principalmente nas expostas ao sol, desde o 2* mês até o final da gravidez. A região mais acometida é da face, chamada de melasma gravídico, outros locais também são comuns, como a linha média do abdomem, denominada Linha Nigra. Esses aumentos da pigmentação costumam desaparecer ou diminuir após o parto. A prevenção e tratamento são discutíveis.
Acne e Hipertricose
O aparecimento de acne durante a gestação é comum. A hipertricose geralmente é discreta, porém algumas vezes pode se apresentar em excesso e com distribuição masculina. As unhas crescem numa velocidade maior, porém tornam-se quebradiças. O crescimento dos cabelos se acentua durante a gravidez, porém no puerpério é comum sua queda.
Aranhas vasculares e eritema palmar
Aranhas vasculares são alterações da micro circulação, que aparecem na face, pescoço, parte superior do tórax e braços. Ocorre em 2/3 das mulheres brancas e 1/10 das de origem negra. O eritema palmar é a hiperemia da palma das mãos, ocorre em 2/3 das mulheres brancas e 1/3 das mulheres de origem negra, com aparecimento a partir do 2* mês. Não tem significado clínico e desaparecem após o parto.
Vagina e períneo
Ocorre aumento da vascularização e da pigmentação do períneo. A secreção vaginal aumenta, e a vagina adquire a cor violácea.
Mamas
Aumento no tamanho e na sensibilidade logo nas primeiras semanas de gravidez. O uso de sutiã firme 24horas por dia, associada à compressas frias, são medidas efetivas para aliviar a mastalgia. A aréola aumenta sua pigmentação e o mamilo aumenta seu tamanho, ocorrendo também hipertrofia das glândulas sebáceas em volta do mamilo. Após 16 semanas pode aparecer o colostro.
Sistema de locomoção
Postura e deambulação
O aumento do volume e peso uterino e das mamas, muda o centro de gravidade, levando a uma lordose progressiva. As pernas se abrem aumentando a base, resultando na marcha anserina.
Dores lombares
Devido as alterações posturais e aumento da mobilidade das articulações causada pela relaxina, que é produzida pela placenta, podem aparecer dores lombares de variável intensidade.
Recomenda-se repouso várias vezes ao dia, em decúbito lateral esquerdo, associado a calor local, massagens, e se necessário, uso de analgésicos como o paracetamol 750mg VO 6/6hs.
Dores em baixo ventre
Pressão do peso uterino sobre a musculatura do parede abdominal, pelves e bexiga. Diferenciar das contrações uterinas.
Repouso em decúbito lateral esquerdo, uso de analgésicos.
Cãibras
Queixa de 30% das grávidas na segunda metade da gravidez, caracterizada por uma contratura muscular, principalmente nos membros inferiores, mais freqüentes a noite e mais acentuadas nas portadoras de varizes. Causada por baixos níveis sangüíneos de cálcio e altos níveis de fósforo.
Aumento da ingesta de líquidos, calor local e alongamento são medidas efetivas. Evitar o fosfato de cálcio, presente no leite, fornecendo outras fontes de cálcio, ou associando hidróxido de alumínio 8mls antes das principais refeições, que aumenta a absorção do cálcio e diminui a absorção do fosfato.
Desconforto nas mãos
Afetando 5% das grávidas, a sensação de dormência, fraqueza muscular e formigamento nas mãos, é causada pela distensão do plexo braquial, resultado da alteração na cintura escapular, causado pela lordose. Ocorre mais a noite e pela manhã, e pode persistir após o parto, pelo esforço ao carregar o bebê.
Sistema digestivo
Salivação excessiva
Aumento da salivação não é confirmada por alguns autores, e a produção de 1 a 2 litros de saliva por dia, é mantida durante a gestação, porém a dificuldade da grávida nauseada de engolir sua saliva, pode gerar a queixa. Ocorre também um aumento na incidência de cáries, pela redução do PH da saliva. Hipertrofia, hiperemia e aumento da fragilidade gengival, também aparecem, e a consulta odontológica deve ser recomendada.
Fome e sede
Há um aumento do apetite e da sede em mais da metade das gestantes, iniciando no primeiro trimestre e persistindo por toda gravidez. Alimentação fracionada, rica em frutas e verduras devem ser incentivadas. .
Pica
Mudanças qualitativas no hábito alimentar, atingem 70% das grávidas. Ocorre uma preferência por frutas ácidas, alimentos condimentados e outros, aversão a café, chá e frituras, também são comuns.
Vontade de ingerir alimentos sem valor nutritivo, ou a perversão do apetite, é admitido por algumas grávidas.
Náuseas e vômitos
São freqüentes até o final do 1*trimestre, geralmente pela manhã e melhorando com o transcorrer do dia, presente em 50-70% das grávidas e principalmente nas primigestas. Pode retornar ao final da gravidez, pelo fator compressão.
Diferenciar da hiperemese gravídica, pela presença de perda ponderal significativa e distúrbio hidroeletrolítico.
O tratamento consiste na alimentação mais freqüente e em menor quantidade, rica em carbohidratos secos, e a água deve ser ingerida no intervalos das refeições; suporte emocional também é recomendado. Cloridrato de Metoclopramida 10mg VO de 6/6hs, Dimenidrato 100mg VO de 6/6hs, entre outras drogas, podem ser utilizadas.
Azia
Queixa de 30 a 50% das grávidas, pode aparecer desde o primeiro trimestre. O refluxo da secreção gástrica para o esôfago ocorre pela diminuição da pressão, da peristalse e do tônus do esôfago, e ao final da gravidez, pela compressão e alteração da posição do estômago.
Fracionar as refeições, diminuir a quantidade, não deitar logo após as refeições e elevar a cabeceira da cama, são as recomendações. Os anti-ácidos tem valor questionável, já que a secreção ácida do estômago está diminuída.
Prisão de ventre e gases
Ocorrem devido à diminuição do tônus da musculatura lisa e da diminuição da motilidade intestinal, que são consequências da ação hormonal e compressão uterina.
Aumento da ingesta de líquidos e fibras devem ser incentivados.
Sistema circulatório
Desmaios e tonturas
Principalmente entre 12-26semanas, ocorre um seqüestro de sangue na pelves, abdomem e membros inferiores, e também uma diminuição da resistência vascular periférica, levando a hipotensão e diminuição do fluxo cerebral, que se associado à hipoglicemia piora o quadro, resultando em tontura, cefaléia e desmaio.
Repouso em decúbito lateral esquerdo, ou com os membros inferiores elevados e refeições mais freqüentes ajudam a diminuir a ocorrência.
Taquicardia e palpitação
O aumento do débito cardíaco, através do aumento da freqüência e do volume sistólico, podem gerar um sopro sistólico, extra-sístoles e palpitações.
Varizes
Devido a ação hormonal e compressão uterina sobre as veias do abdomem, aparecem as varizes nas pernas ou na vulva. O tratamento visa evitar ficar longos períodos em pé, repouso com as pernas elevadas e uso de meias elásticas.
Hemorróidas
Ocorre pela compressão uterina e ação hormonal sobre o plexo hemorroidário, que piora com a constipação. Regridem no pós-parto.
Edema de membros inferiores
O edema ocorre principalmente no final da gravidez, limitado aos tornozelos, e causado pelo mesmo mecanismo que as varizes, devido ao extravasamento de líquidos intravascular para o interstício. Na presença de edema generalizado, afastar Pré-eclampsia. A prevenção é a mesma recomendada nas varizes, e os diuréticos são contra-indicados.
Hipotensão supina (deitado com barriga para cima)
Na segunda metade da gravidez, na posição supina, o útero comprime a veia cava, diminuindo o retorno venoso e o débito cardíaco, que em 10% das grávidas resulta em uma redução maior ou igual a 30% da pressão sistólica, levando a um reflexo vaso-vagal com bradicardia e hipotensão.
Sistema Respiratório
Sangramento nasal e alterações da voz
Desde o inicio da gravidez ocorre uma dilatação capilar de todo trato respiratório, resultando em mudanças na voz, obstrução nasal e sangramento nasal.
Falta de ar
A falta de ar é uma queixa de 60 a 70% das grávidas. Durante a gravidez ocorre um aumento de 20 a 30% no consumo de oxigênio, compensado por uma respiração mais profunda, que aumenta o esforço respiratório. A redução da capacidade de difusão e a elevação do diafragma pelo crescimento uterino, também contribuem para agravar a sensação de falta de ar da grávida.
Sistema Urinário
Aumento da frequência urinária o aumento do fluxo plasmático e da filtração glomerular, que está presente desde o inicio da gravidez, resulta em aumento do débito urinário, que chega a um acréscimo de 50% no inicio do 2*trimestre. A compressão uterina sobre a bexiga, que se acentua após 16 semanas de gravidez, diminui a capacidade vesical, aumentando assim a freqüência urinária. Ocorre também uma diminuição da pressão intra-uretral, que resulta em perda urinária involuntária. Diferenciar de bolsa rota.
Sistema nervoso
Enxaqueca e Depressão
Aparecimento ou piora das crises de enxaqueca se devem a um aumento da retenção líquida, e analgésicos podem ser utilizados, como Paracetamol 750mg VO até de 4/4 horas. Depressão e outros distúrbios psíquicos são resultados das alterações bioquímicas da gravidez . Sonolência, fadiga e perda da memória tambem são queixas comuns.
SÍNDROMES HIPERTENSIVAS
patologia clínica mais frequente da gestação, e junto com infecções e hemorragia formam tríade responsável por grande obituário materno e fetal.
Atualmente , há a tendência em considerar como hipertensão na gravidez pressão arterial maior ou igual a 140X90 mmhg, ou elevações nos níveis pressóricos de pelo menos 30 mmhg na pressão arterial sistólica e/ou 15 mmhg na pressão arterial diastólica não importando quais os valores absolutos alcançados.
As síndromes hipertensivas compreendem duas entidades clínicas de etiologia completamente diferente, a primeira denominada hipertensão induzida pela gravidez ou pré-eclâmpsia (DHEG) e outra é a hipertensão crônica que coincide com a gestação. Aquela deve estar associada à proteinúria e ao edema e em quadros graves associar-se à crises convulsivas denominada então de eclâmpsia.
DOENÇA HIPERTENSIVA ESPECÍFICA DA GESTAÇÃO (DHEG):
Aparece normalmente após 20 semanas de gestação exceto nas gestações molares onde pode ser mais precoce . Etiologia não definida mas parece que em decorrência de placentacão anormal ,alterações imunológicas por não adaptação materna ao tecido trofoblástico em implantação ou herança genética.
ECLÂMPSIA:
É o aparecimento de crises convulsivas em pacientes com pré eclâmpsia
Frente a uma paciente com pré eclâmpsia nós iremos adotar a conduta conforme a gravidade da doença e idade gestacional da paciente . Estando o feto com idade gestacional avançada vamos interromper às gestações e em gestações prematuras estas pacientes permanecerão internadas para controle clínico na tentativa de prolongar ao máximo a gestação, contribuindo para diminuir as complicações inerentes à prematuridade
DIABETES MELLITUS GESTACIONAL
DMG( Diabetes Mellitus Gestacional )é definida como uma intolerância a carbohidratos de severidade variável que é reconhecida durante a gravidez, independente da glicemia mantida após o parto.
Fatores de risco
Obesidade (mais que 20% do seu peso ideal)
Parente de primeiro grau com diabetes
Grupo étnico de alto risco (Africano, Hispânico, Nativo
Americano, Asiático )
Parto de feto maior que 4000g .
Hipertensão (pressão maior que 140/90 )
HDL colesterol < = 35mg/dl ou triglicerídios >=250 mg/dl
Tolerancia diminuida a glicose (Glicemia de jejum 110-126)
Rastreamento:
Glicemia de jejum na primeira consulta
Realizar TTOG 50 (teste sobrecarga oral de glicose )em todas as pacientes com 24 –28 semanas de
gestação
Diagnóstico:
Tolerancia diminuida a glicose 110-126mg/dl
Glicemia de jejum (mínimo 12 horas) excedendo 126mg/dl
TTOG 50 Maior ou igual a 186mg/dl
TTOG 100 com pelo menos 2 pontos alterados
TTOG 100 O, Sullivan/Mahan (valores normais)
Jejum 105 mg/dl
1h 190 mg/dl
2h 165mg/dl
3h 145mg /dl
Conduta:
3. 1. Internação
4. 2. Dietoterapia por 3 dias
3. Exames complementares
4. Utilização de insulina se necessário.
5. Exercícios físicos
Após controle adequado dos níveis glicêmicos a paciente continuará seu pré natal em serviço de gestação de alto risco
Complicações Maternas:
Distúrbios hipertensivos durante a gestação
Edema
Infecções do rim
Aumento volume liquido amniótico
Trabalho de parto pré termo
Hipoglicemia
Relação Hiperglicemia / Complicações Fetais:
1o Trimestre : Malformação congênita (SNC,
esqueléticas,cardiovascular,trato digestivo, renal)
2o Trimestre : diminuição de desenvolvimento intelectual ,complicações
e outras complicações fetais
3o Trimestre : macrossomia (feto grande), RCIU.
ALTERAÇÕES DO VOLUME DO LÍQUIDO AMNIÓTICO
POLIDRÂMNIO
É o excesso na quantidade do líquido amniótico (LA) estando associado à complicações perinatais. Classicamente é caracterizado quando o volume do LA é superior a 2000 ml, sua incidência é de 0,4% a 1,5% das gestações.
Os fatores etiológicos normalmente relacionados são anomalias fetais, patologias maternas e placentárias.
Anomalias fetais obstruções do trato digestivo, anomalias do SNC, congênitas, esqueléticas, cardíacas, infecções por rubéola, sífilis, toxoplasmose, enttre outras.
Patologias maternas diabete melito, aloimunização
Patologias placentárias Síndrome transfusor-transfundido, corangioma, placenta circunvalada.
Suspeitamos do diagnóstico quando a altura de fundo de útero ultrapassa a esperada para determinada idade gestacional e confirmamos o mesmo com a ultrassonografia.
Para tratamento devemos tratar a causa básica, inibição do trabalho de parto prematuro se instalado, situações especiais poderemos utilizar indometacina e esvaziamento do polidrâmnio .
OLIGOÂMNIO
É conceituado como diminuição na quantidade de líquido amniótico (LA). Sua incidência é estimada entre 0,5% a 5,5%.Caracterizado por volume de LA inferior a 300-400 ml.
O diagnóstico é confirmado através da ultrassonografia , mesmo com este exame existem dificuldades na quantificação exata do volume de LA durante a gestação.
As patologias mais frequentemente envolvidas com diminuição do LA são:
Patologias fetais CIUR (crescimento fetal retardado intrautero) , anomalias renais, cromossomopatias
Patologias maternas doenças hipertensivas, doenças do colágeno, DM, drogas (indometacina)
Patologias placentárias descolamento prematuro da placenta .
Para tratamento, indicamos a interrupção da gestação em situações com maturidade fetal. Em prematuros temos preconizado a internação da gestante para avaliação de vitalidade fetal, o repouso adequado também melhora o volume do LA, permitindo a postergação da resolução obstétrica.
TRABALHO DE PARTO PREMATURO
É caracterizado pelo aparecimento de contrações uterinas , que ocorrem após 20 semanas e antes de 37 semanas de idade gestacional, segundo OMS, estas contrações devem ser de pelo menos uma a cada 10 minutos e com capacidade para determinar modificações plásticas no colo do útero.
O fator causador do trabalho de parto prematuro é desconhecido portanto são vários os fatores predisponentes como: desnutrição, idade materna, tabagismo, alcoolismo, anomalias uterinas, amniorrexe prematura, gestação gemelar, polidrâmnio, óbito fetal, estados hipertensivos, infecção urinária e genital.
Para tratamento paciente é mantida em repouso, deitada lado esquerdo do corpo, que diminui as contrações e melhora a circulação útero placentária , utilizamos infusão venosa de soro glicosado e medicação para inibição das contrações uterinas (salbutamol, terbutalina, ritodrina, indometacina, outras)
ROTURA PREMATURA DAS MEMBRANAS AMNIÓTICAS
É a rotura das membranas amnióticas que ocorre antes do início do trabalho de parto em qualquer fase da gestação, a incidência é em torno de 10% das gestações.
A causa ainda não foi totalmente esclarecida, mas acredita-se que sejam mecanismos inflamatórios e infecciosos envolvidos.
Conduta - nas gestações acima de 34 sem. procuramos interromper a gravidez, pois a maioria dos fetos já atingiram a maturidade pulmonar.
- Gestações entre 24-34 sem. adotaremos uma conduta expectante, verificando o bem estar fetal, investigando constantemente qualquer sinal de infecção na mãe e ou feto, utilizamos nesta gestantes corticóide que vão auxiliar no amadurecimento do pulmão do feto. A gestação será interrompida quando atingida a 34* sem. ou com qualquer sinal de sofrimento fetal ou infecção intrauterina.
- gestações inferiores a 24 sem. é questionável aguardar a evolução da gravidez em virtude do grande número de complicações que podem acometer mãe e filho como infecções e hipoplasia pulmonar fetal. Nesta situação discute-se claramente com a família os riscos frequentes de complicações.
PRENHEZ ECTÓPICA
Quando o ovo se implanta fora da cavidade corporal do útero, portanto em posição intra-uterina anômala, trompas uterinas, ovário ou abdomen materno.
Incidência varia 0,3-1% das gestações.
São considerados fatores de risco para gravidez ectópica : antecedentes de doença inflamatória pélvica, gravidez após falha de dispositivo intra-uterino (DIU), ou minipílula, antecedente de cirurgia tubária, antecedente de prenhez ectópica, gravidez após reprodução assistida.
A prenhez tubária representa 98-99% das gestações ectópicas e nestas , principalmente a região ístmica ou ampular das trompas.
Diagnóstico: clínico :atraso menstrual, dor abdominal, sangramento vaginal, massa anexial com dor à sua mobilização, associado à níveis de BhCG positivo e também imagem ultrassonografica de massa, saco gestacional ou até mesmo embrião em topografia extrauterina na grande maioria das vezes chegaremos a um dignóstico conclusivo desta patologia.
Tratamento : na presença de rotura tubária o tratamento consiste na retirada da trompa afetada e em situações onde a trompa encontra-se íntegra sem desejo de gestação futura também opta-se pela cirurgia, e naquelas pacientes que querem preservar suas trompas adota-se tratamento com medicação quimioterápica.
PLACENTA PRÉVIA
É a implantação de qualquer parte da placenta em segmento inferior do útero após 28 semanas de idade gestacional , com incidência de 0,5-1% das gestações.
Fatores etiológicos importantes da placenta prévia são vascularização deficiente em sítios normais de implantação da placenta, placentas grandes fazendo com que partes da mesma situem-se em regiões uterina inferior ,assim como idade materna avançada, multiparidade, curetagens repetidas, cirurgias uterinas e cesáreas anteriores aumentam o risco desta patologia.
Diagnóstico : sangramento genital vermelho vivo, indolor, sem causa aparente, que tende a ser de forma repetida e que vai se agravando, a conclusão diagnóstica é dada com realização da ultrassonografia confirmando a posição baixa desta placenta.
Para o nascimento , se a placenta obstruir completamente o canal do colo do útero deverá ser realizado a cesareana e em situações de obstrução parcial não há contra indicações para o parto normal.
DESCOLAMENTO PREMATURO DA PLACENTA
É a separação da placenta normalmente implantada no corpo uterino em gestação acima de 20 semanas e antes da expulsão fetal. Incidência varia de 1/86 a 1/200 das gestações sendo uma das mais graves complicações obstétricas e responsável por 15-25% de todas as mortes perinatais.
Fatores predisponentes : síndromes hipertensivas , traumas abdominais externos, tumor e malformação uterina, uso de drogas, fumo, descompressão uterina abrupta (após o esvaziamento do polidrâmnio , expulsão do primeiro feto na gestação múltipla).
Diagnóstico: basicamente clínico, caracterizado por dor abdominal abrupta de forte intensidade, sangramento vaginal, parada dos movimentos fetais, associado a sinais de hipovolemia , aumento do tônus uterino, alteração dos batimentos cárdio fetais. Ultrassonografia pode ajudar no dignóstico se identificar o coágulo retroplacentário.
Em situações onde o feto encontra-se vivo interromperemos a gestação da forma mais rápida normalmente por cesareana. No óbito fetal o parto vaginal deverá ser acelerado. Tendo-se sempre em vista o bem estar materno com reposição volêmica , assim como fatores de coagulação se necessário.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
FRATURAS
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Fratura óssea é uma situação em que há perda da continuidade óssea, geralmente com separação de um osso em dois ou mais fragmentos após um traumatismo.
A sua gravidade pode variar bastante; algumas fraturas resolvem-se espontâneamente sem chegarem a ser diagnosticadas, enquanto outras acarretam risco de morte e são emergências médicas.
As queixas habituais são dores, incapacidade de mexer o membro e deformidade, embora possa variar consoante o tipo e localização da fratura. É uma situação frequente, havendo uma incidência aumentada em alguns grupos de risco tal como em mulheres após a menopausa, devido à diminuição da densidade do osso por osteoporose.
História
As fraturas surgem com o aparecimento de esqueletos rígidos na Natureza. Na espécie humana as primeiras tentativas de tratamento conhecidas datam de há mais de 5000 anos, embora possam ter surgido espontaneamente há ainda mais tempo.
Estes primeiros tratamentos consistiam na utilização de pedaços de madeira ou casca de palmeira amarrados em torno do membro fraturado com linho, e foram descobertas em escavações realizadas no Egito. Este método ainda é utilizado atualmente, variando os materiais utilizados.
A primeira referência à utilização de materiais semelhantes ao gesso atual data de 900 d.C. por Rhazes Athuriscus, um médico árabe que descreveu a preparação de tiras de linho embebidas numa mistura de cal e clara de ovo, que adquiria bastante resistência. No mundo ocidental, o interesse pelo gesso parece ter-se desenvolvido após um diplomata inglês no Império Otomano, Eaton, ter descrito em 1793 a utilização deste material no tratamento de uma fratura. As ligaduras gessadas utilizadas hoje em dia foram descritas pela primeira vez em 1854 por Antonius Mathysen, um cirurgião naval holandês.
Antes do advento dos antibióticos uma fratura exposta (quando a pele e os músculos são perfurados pelo osso) estava associada a uma mortalidade extremamente elevada, devido a infecções da ferida e do osso (osteomielite). A única terapêutica nestas situações consistia na amputação precoce do membro, embora a amputação fosse em si um método com elevada mortalidade, devido a hemorragia ou a gangrena infecciosa.
A fixação cirúrgica das fraturas aparece mencionada pela primeira vez cerca de 1760 em Toulouse, quando surge numa carta entre dois cirurgiões referência à "fixação de fraturas usando arame no tratamento".
Classificação
As fraturas podem ser classificadas de acordo com vários critérios.
Segundo a causa
As fraturas traumáticas correspondem à grande maioria das fraturas, e resulta da aplicação de uma força sobre o osso que seja maior que a resistência deste. Pode ocorrer no local de um impacto (fratura direta), num local afastado da zona de impacto (por exemplo, fratura da clavícula após queda sobre a mão - fratura indireta), ou por contracção muscular violenta (fratura por tração muscular).
As fraturas de sobrecarga ou de stress são devidas à aplicação repetida e frequente de pequenas forças sobre um osso, que leva a uma fadiga que condiciona a fratura.
Fraturas patológicas ocorrem num osso previamente fragilizado, por exemplo por osteoporose ou um tumor ósseo. Geralmente não há evidência de traumatismo que justifique a fratura.
Segundo a lesão envolvente
Nas fraturas simples não há perfuração da pele, ao contrário do que acontece nas fraturas expostas, onde pode ocorrer uma infecção bacteriana, havendo por vezes a necessidade de suturar a ferida.
Nas fraturas complicadas há atingimento de vasos sanguíneos ou nervos. Uma diminuição ou ausência dos pulsos, assim como palidez ou perda de consciência, podem indicar lesão de um vaso sanguíneo (mesmo que não haja hemorragia evidente), sendo importante nestes casos a prestação rápida de cuidados de saúde adequados.
Tratamento
A escolha terapêutica é baseada na avaliação de múltiplos factores. Na maioria dos casos a cirurgia surge como última opção, estando reservada para casos particulares como fraturas expostas ou complicadas, ou quando o tratamento conservador não eficaz na resolução de uma fratura (por exemplo, quando se desenvolvem pseudartroses). Existem contudo algumas excepções em que a cirurgia oferece melhores resultados.
Tratamento conservador
Este tipo de tratamento tenta optimizar as condições em que ocorre o processo natural de reparação do osso sem infligir traumatismos adicionais geralmente associados a uma cirurgia. O processo é variável consoante o osso atingido e o tipo de lesão em causa.
Geralmente envolve a redução da fratura, que pode ser feito com ou sem anestesia, e consiste em exercer uma tracção adequada sobre o membro afectado de forma a que os topos da fratura fiquem alinhados, ou seja, regressem à sua posição anatómica. Uma redução bem efectuada reduz o risco de consolidação viciosa, que é uma das sequelas mais frequentes das fraturas e que ocorre quando o osso cicatriza numa posição incorrecta.
Após a redução há habitualmente uma diminuição importante da dor, que pode até desaparecer por completo.
Depois do alinhamento dos topos da fratura, o membro afectado é estabilizado utilizando vários meios, sendo dos mais frequentes a tala gessada, o gesso fechado, ou o suporte com ligaduras elásticas. Esta estabilização tem por objectivo prevenir o movimento dos topos da fratura, para que não haja dor, e possa ocorrer uma reparação eficaz da lesão. Uma possível consequência de uma imobilização deficiente (ou de remover a imobilização demasiado cedo) é a formação de uma pseudartrose, uma situação que geralmente implica correcção cirúrgica.
O tempo em que é mantida a imobilização varia consoante o osso fraturado e a região do osso atingida, podendo variar de 3 a 8 semanas, ou mais.
Habitualmente são também utilizados medicamentos para alívio da sintomatologia, em particular analgésicos anti-inflamatórios (AINEs) para reduzir a dor e inflamação local.
Tratamento cirúrgico
A cirurgia tem por objectivo restabelecer o alinhamento normal do osso, e manter esse alinhamento até a reparação da fratura. Permite também corrigir algumas lesões das partes moles, em especial vasos sanguíneos que possam ter rompido.
O restabelecimento da continuidade óssea por meio cirúrgico (osteossíntese) pode ser feito com recurso a várias técnicas, habitualmente com a utilização de placas e parafusos, varetas endo-medulares ou fios de Kirschner.
Sequelas e complicações
Uma grande parte das fraturas é curada sem deixar sequelas, podendo desaparecer qualquer vestígio da fratura após alguns meses. Noutras situações, o processo de reparação óssea não é capaz de restabelecer por completo a forma ou função original do osso fraturado, o que acontece mais frequentemente quando há complicações associadas à fratura.
Infecção
Uma infecção óssea (osteomielite) é especialmente grave devido à baixa irrigação sanguínea e escassez de células vivas, já que o osso é constituido predominantemente por matriz extracelular. Fraturas expostas e procedimentos cirúrgicos que atinjam o osso (tal como osteotomia) implicam procedimentos de assepsia e administração de antibióticos.
Necrose óssea
Pode ocorrer morte de parte do osso (necrose) algum tempo após a fratura, caso tenha ocorrido lesão dos vasos sanguíneos que levam sangue a essa parte do osso. Um bom alinhamento dos topos da fratura, e uma intervenção atempada, podem ajudar a diminuir este risco.
Pseudartrose
Ocorre a formação de uma articulação entre os topos da fratura, que não se juntam após um determinado período de tempo. O diagnóstico de pseudartrose é feito quando deixa de haver esperança que a fratura consolide naturalmente, e implica correcção através de cirurgia.
Consolidação viciosa
Os topos da fratura consolidam fora da sua posição anatómica. Pode ser devido a uma má redução da fratura, ou de uma imobilização em posição inadequada. As implicações podem ser apenas estéticas, como acontece frequentemente em fraturas da clavícula, mas em algumas situações pode haver limitação ou até perda da função do membro afectado. As crianças, devido ao rápido metabolismo e crescimento ósseo, têm maior capacidade de recuperar uma anatomia normal após consolidação viciosa de uma fratura.
Referências
• 5,000 years of the treatment of fractures; Colton CL.; Rev Chir Orthop Reparatrice Appar Mot. 1998 Oct;84 Suppl 1:23-6.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Fratura óssea é uma situação em que há perda da continuidade óssea, geralmente com separação de um osso em dois ou mais fragmentos após um traumatismo.
A sua gravidade pode variar bastante; algumas fraturas resolvem-se espontâneamente sem chegarem a ser diagnosticadas, enquanto outras acarretam risco de morte e são emergências médicas.
As queixas habituais são dores, incapacidade de mexer o membro e deformidade, embora possa variar consoante o tipo e localização da fratura. É uma situação frequente, havendo uma incidência aumentada em alguns grupos de risco tal como em mulheres após a menopausa, devido à diminuição da densidade do osso por osteoporose.
História
As fraturas surgem com o aparecimento de esqueletos rígidos na Natureza. Na espécie humana as primeiras tentativas de tratamento conhecidas datam de há mais de 5000 anos, embora possam ter surgido espontaneamente há ainda mais tempo.
Estes primeiros tratamentos consistiam na utilização de pedaços de madeira ou casca de palmeira amarrados em torno do membro fraturado com linho, e foram descobertas em escavações realizadas no Egito. Este método ainda é utilizado atualmente, variando os materiais utilizados.
A primeira referência à utilização de materiais semelhantes ao gesso atual data de 900 d.C. por Rhazes Athuriscus, um médico árabe que descreveu a preparação de tiras de linho embebidas numa mistura de cal e clara de ovo, que adquiria bastante resistência. No mundo ocidental, o interesse pelo gesso parece ter-se desenvolvido após um diplomata inglês no Império Otomano, Eaton, ter descrito em 1793 a utilização deste material no tratamento de uma fratura. As ligaduras gessadas utilizadas hoje em dia foram descritas pela primeira vez em 1854 por Antonius Mathysen, um cirurgião naval holandês.
Antes do advento dos antibióticos uma fratura exposta (quando a pele e os músculos são perfurados pelo osso) estava associada a uma mortalidade extremamente elevada, devido a infecções da ferida e do osso (osteomielite). A única terapêutica nestas situações consistia na amputação precoce do membro, embora a amputação fosse em si um método com elevada mortalidade, devido a hemorragia ou a gangrena infecciosa.
A fixação cirúrgica das fraturas aparece mencionada pela primeira vez cerca de 1760 em Toulouse, quando surge numa carta entre dois cirurgiões referência à "fixação de fraturas usando arame no tratamento".
Classificação
As fraturas podem ser classificadas de acordo com vários critérios.
Segundo a causa
As fraturas traumáticas correspondem à grande maioria das fraturas, e resulta da aplicação de uma força sobre o osso que seja maior que a resistência deste. Pode ocorrer no local de um impacto (fratura direta), num local afastado da zona de impacto (por exemplo, fratura da clavícula após queda sobre a mão - fratura indireta), ou por contracção muscular violenta (fratura por tração muscular).
As fraturas de sobrecarga ou de stress são devidas à aplicação repetida e frequente de pequenas forças sobre um osso, que leva a uma fadiga que condiciona a fratura.
Fraturas patológicas ocorrem num osso previamente fragilizado, por exemplo por osteoporose ou um tumor ósseo. Geralmente não há evidência de traumatismo que justifique a fratura.
Segundo a lesão envolvente
Nas fraturas simples não há perfuração da pele, ao contrário do que acontece nas fraturas expostas, onde pode ocorrer uma infecção bacteriana, havendo por vezes a necessidade de suturar a ferida.
Nas fraturas complicadas há atingimento de vasos sanguíneos ou nervos. Uma diminuição ou ausência dos pulsos, assim como palidez ou perda de consciência, podem indicar lesão de um vaso sanguíneo (mesmo que não haja hemorragia evidente), sendo importante nestes casos a prestação rápida de cuidados de saúde adequados.
Tratamento
A escolha terapêutica é baseada na avaliação de múltiplos factores. Na maioria dos casos a cirurgia surge como última opção, estando reservada para casos particulares como fraturas expostas ou complicadas, ou quando o tratamento conservador não eficaz na resolução de uma fratura (por exemplo, quando se desenvolvem pseudartroses). Existem contudo algumas excepções em que a cirurgia oferece melhores resultados.
Tratamento conservador
Este tipo de tratamento tenta optimizar as condições em que ocorre o processo natural de reparação do osso sem infligir traumatismos adicionais geralmente associados a uma cirurgia. O processo é variável consoante o osso atingido e o tipo de lesão em causa.
Geralmente envolve a redução da fratura, que pode ser feito com ou sem anestesia, e consiste em exercer uma tracção adequada sobre o membro afectado de forma a que os topos da fratura fiquem alinhados, ou seja, regressem à sua posição anatómica. Uma redução bem efectuada reduz o risco de consolidação viciosa, que é uma das sequelas mais frequentes das fraturas e que ocorre quando o osso cicatriza numa posição incorrecta.
Após a redução há habitualmente uma diminuição importante da dor, que pode até desaparecer por completo.
Depois do alinhamento dos topos da fratura, o membro afectado é estabilizado utilizando vários meios, sendo dos mais frequentes a tala gessada, o gesso fechado, ou o suporte com ligaduras elásticas. Esta estabilização tem por objectivo prevenir o movimento dos topos da fratura, para que não haja dor, e possa ocorrer uma reparação eficaz da lesão. Uma possível consequência de uma imobilização deficiente (ou de remover a imobilização demasiado cedo) é a formação de uma pseudartrose, uma situação que geralmente implica correcção cirúrgica.
O tempo em que é mantida a imobilização varia consoante o osso fraturado e a região do osso atingida, podendo variar de 3 a 8 semanas, ou mais.
Habitualmente são também utilizados medicamentos para alívio da sintomatologia, em particular analgésicos anti-inflamatórios (AINEs) para reduzir a dor e inflamação local.
Tratamento cirúrgico
A cirurgia tem por objectivo restabelecer o alinhamento normal do osso, e manter esse alinhamento até a reparação da fratura. Permite também corrigir algumas lesões das partes moles, em especial vasos sanguíneos que possam ter rompido.
O restabelecimento da continuidade óssea por meio cirúrgico (osteossíntese) pode ser feito com recurso a várias técnicas, habitualmente com a utilização de placas e parafusos, varetas endo-medulares ou fios de Kirschner.
Sequelas e complicações
Uma grande parte das fraturas é curada sem deixar sequelas, podendo desaparecer qualquer vestígio da fratura após alguns meses. Noutras situações, o processo de reparação óssea não é capaz de restabelecer por completo a forma ou função original do osso fraturado, o que acontece mais frequentemente quando há complicações associadas à fratura.
Infecção
Uma infecção óssea (osteomielite) é especialmente grave devido à baixa irrigação sanguínea e escassez de células vivas, já que o osso é constituido predominantemente por matriz extracelular. Fraturas expostas e procedimentos cirúrgicos que atinjam o osso (tal como osteotomia) implicam procedimentos de assepsia e administração de antibióticos.
Necrose óssea
Pode ocorrer morte de parte do osso (necrose) algum tempo após a fratura, caso tenha ocorrido lesão dos vasos sanguíneos que levam sangue a essa parte do osso. Um bom alinhamento dos topos da fratura, e uma intervenção atempada, podem ajudar a diminuir este risco.
Pseudartrose
Ocorre a formação de uma articulação entre os topos da fratura, que não se juntam após um determinado período de tempo. O diagnóstico de pseudartrose é feito quando deixa de haver esperança que a fratura consolide naturalmente, e implica correcção através de cirurgia.
Consolidação viciosa
Os topos da fratura consolidam fora da sua posição anatómica. Pode ser devido a uma má redução da fratura, ou de uma imobilização em posição inadequada. As implicações podem ser apenas estéticas, como acontece frequentemente em fraturas da clavícula, mas em algumas situações pode haver limitação ou até perda da função do membro afectado. As crianças, devido ao rápido metabolismo e crescimento ósseo, têm maior capacidade de recuperar uma anatomia normal após consolidação viciosa de uma fratura.
Referências
• 5,000 years of the treatment of fractures; Colton CL.; Rev Chir Orthop Reparatrice Appar Mot. 1998 Oct;84 Suppl 1:23-6.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
CÓDIGO DE ÉTICA DA ENFERMAGEM BRASILEIRA
O termo Ética refere-se aos padrões de conduta moral, isto é, padrões de comportamento relativos ao paciente, ao patrão e aos colegas de trabalho. Ter boa capacidade de discernimento significa saber o que é certo e o que é errado, e como agir para chegar ao equilíbrio.
Os profissionais de enfermagem são regidos pelo código de ética da enfermagem que segue.
Capitulo I
DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
Art.1º- A Enfermagem é uma profissão comprometida com a saúde do ser humano e da coletividade. Atua na promoção, proteção, recuperação da saúde e reabilitação das pessoas, respeitando os preceitos éticos e legais.
Art.2º - O Profissional de Enfermagem participa, como integrante da sociedade, das ações que visem satisfazer às necessidades de saúde da população.
Art.3º - O Profissional de Enfermagem respeita a vida, a dignidade e os direitos da pessoa humana, em todo o seu ciclo vital, sem discriminação de qualquer natureza.
Art.4º - O Profissional de Enfermagem exerce suas atividades com justiça competência, responsabilidade e honestidade.
Art.5º - O Profissional de Enfermagem presta assistência à saúde visando a promoção do ser humano como um todo.
Art.6º - O Profissional de Enfermagem exerce a profissão com autonomia, respeitando os preceitos legais da Enfermagem.
Capitulo I I
DOS DIREITOS
Art.7º - Recusar-se a executar atividades que não sejam de sua competência legal.
Art.8º - Ser informado sobre o diagnóstico provisório ou definitivo de todos os clientes que estejam sob sua assistência.
Art.9º - Recorrer ao Conselho Regional de Enfermagem, quando impedido de cumprir o presente
Código de Lei do Exercício Profissional.
Art.10º - Participar de movimentos reivindicatórios por melhores condições de assistência, de trabalho e remuneração.
Art. 11º - Suspender suas atividades, individual ou coletivamente, quando a instituição pública ou privada para a qual trabalhe não oferecer condições mínimas para o exercício profissional, ressalvadas as situações de urgência e emergência, devendo comunicar imediatamente sua decisão ao Conselho Regional de Enfermagem.
Parágrafo único - Ao cliente sob sua responsabilidade, deve ser garantida a continuidade da assistência de Enfermagem.
Art.12º - Receber salários ou honorários pelo seu trabalho que deverá corresponder, no mínimo, ao fixado por legislação específica.
Art. 13º - Associar-se, exercer cargos e participar das atividades de Entidades de Classe.
Art. 14º - Atualizar seus conhecimentos técnicos, científicos e culturais.
Art. 15º - Apoiar as iniciativas que visem o aprimoramento profissional, cultural e a defesa dos legítimos interesses da classe.
Capítulo I I I
DAS RESPONSABILIDADES
Art.16º - Assegurar ao cliente uma Assistência de Enfermagem livre de danos decorrentes de imperícia, negligência ou imprudência.
Art.17º - Avaliar criteriosamente sua competência técnica e legal e somente aceitar encargos ou atribuições, quando capaz de desempenho seguro para si e para a clientela.
Art.18º - Manter-se atualizado ampliando seus conhecimentos técnicos, científicos e culturais, em benefício da clientela, coletividade e do desenvolvimento da profissão.
Art. 19º - Promover e/ou facilitar o aperfeiçoamento técnico, científico e cultural do pessoal sob sua orientação ou supervisão.
Art. 20º - Responsabilizar-se por falta cometida em suas atividades profissionais, independente de ter sido praticada individualmente ou em equipe.
Capítulo I V
DOS DEVERES
Art.21º- Cumprir e fazer cumprir os preceitos éticos e leais da profissão.
Art.22º- Exercer a Enfermagem com justiça, competência, responsabilidade e honestidade.
Art.23º- Prestar Assistência de Enfermagem à clientela, sem discriminação de qualquer natureza.
Art.24º- Prestar à clientela uma Assistência de Enfermagem livre de riscos decorrentes de imperícia, negligência e imprudência.
Art.25º- Garantir a continuidade da Assistência de Enfermagem.
Art.26º-Prestar adequadas informações ao cliente e família a respeito da assistência de Enfermagem, possíveis benefícios, riscos e conseqüências que possam ocorrer.
Art.27º-Respeitar e recorrer o direito do cliente de decidir sobre sua pessoa, seu tratamento e seu bem estar.
Art.28º- Respeitar o natural pudor, a privacidade e a intimidade do cliente.
Art.29º- Manter segredo sobre fato sigiloso de que tenha conhecimento em razão de sua atividade profissional, exceto nos casos previstos em Lei.
Art.30º - Colaborar com a Equipe de Saúde no esclarecimento do cliente e família sobre o seu estado de saúde e tratamento, possíveis benefícios, riscos e conseqüências que possam ocorrer.
Art.31º- Colaborar com a Equipe de Saúde na orientação do cliente ou responsável, sobre os riscos dos exames ou de outros procedimentos aos quais se submeterá.
Art.32º- Respeitar o ser humano na situação de morte ou pós-morte.
Art.33º- Proteger o cliente contra danos decorrentes de imperícia, negligência ou imprudência por parte de qualquer membro da equipe de saúde.
Art.34º-Colocar seus serviços profissionais a disposição da comunidade em casos de emergência, epidemia e catástrofe, sem pleitear vantagens pessoais.
Art.35º - Solicitar consentimento do cliente ou do seu representante legal, de preferência por escrito, para realizar ou participar de pesquisa ou atividade de ensino em Enfermagem, mediante a apresentação da informação completa dos objetivos, riscos e benefícios, da garantia do anonimato e sigilo, do respeito a privacidade e intimidade e a sua liberdade de participar ou declinar de sua participação no momento que desejar.
Art.36º - Interromper a pesquisa na presença de qualquer perigo à vida e a integridade da pessoa humana.
Art. 37º - Ser honesto no relatório dos resultados de pesquisa.
Art.38º - Tratar os colegas e outros profissionais com respeito e consideração.
Art.39º- Alertar o profissional quando diante de falta cometida por imperícia, imprudência ou negligência.
Art.40º - Comunicar ao Conselho Regional de Enfermagem, fatos que infrinjam preceitos do presente Código e da Lei do Exercício Profissional.
Art.41º - Comunicar formalmente ao Conselho Regional de Enfermagem fatos que envolvam recusa ou demissão de cargo, função ou emprego, motivados pela necessidade do profissional em preservar os Postulados Éticos e legais da profissão.
Capítulo V
DAS PROIBIÇÕES
Art.42º- Negar assistência de Enfermagem em caso de urgência ou emergência.
Art.43º- Abandonar o cliente em meio a tratamento sem garantia de continuidade de assistência.
Art.44º-Participar de tratamento sem consentimento do cliente ou representante legal, exceto em iminente risco de vida.
Art.45º-Provocar aborto, ou cooperar em prática destinada a interromper a gestação.
Parágrafo único- Nos casos previstos em Lei, o profissional deverá decidir, de acordo com a sua consciência, sobre a sua participação ou não no ato abortivo.
Art.46º-Promover a eutanásia ou cooperar em prática destinada a antecipar a morte do cliente.
Art.47º- Administrar medicamento sem certificar-se da natureza da droga que compõe e da existência de risco para o cliente.
Art.48º-Prescrever medicamentos ou praticar ato cirúrgico, exceto os previstos na legislação vigente em casos de emergência.
Art.49º-Executar a Assistência de Enfermagem sem o consentimento do cliente ou seu representante legal, exceto em iminente risco de vida.
Art. 50º-Executar prescrições terapêuticas quando contrárias à segurança do cliente
Art. 51º-Prestar ao cliente serviços que por sua natureza incumbem a outro profissional, exceto em caso de emergência.
Art.52º- Provocar, cooperar ou ser conivente com maus tratos.
Art.53º-Realizar ou participar de pesquisa ou atividade de ensino, em que o direito inalienável do homem seja desrespeitado ou acarrete perigo de vida ou dano à sua saúde.
Parágrafo único - A participação do Profissional de Enfermagem, nas pesquisas experimentais, dever ser precedida de consentimento, por escrito, do cliente ou seu representante legal.
Art.54º-Publicar trabalho com elementos que identifiquem o cliente, sem sua autorização.
Art.55º-Publicar, em seu nome, trabalho científico do qual não tenha participado ou omitir em publicações, nome de colaboradores e/ou orientadores.
Art.56º- Utilizar-se sem referência ao autor ou sem autorização expressa, de dados, informações, ou opiniões ainda não publicados.
Art.57º - Sobrepor o interesse da ciência ao interesse e segurança da pessoa humana.
Art.58º-Determinar a execução de atos contrários ao Código de Ética e demais legislações que regulamentam o Exercício da Enfermagem.
Art.59º-Trabalhar e/ou colaborar com pessoas físicas e/ou jurídicas que desrespeitem princípios Éticos de Enfermagem.
Art.60º-Acumpliciar-se com pessoas ou instituições que exerçam ilegalmente atividades de Enfermagem.
Art.61º-Pleitear cargo, função ou emprego ocupado por colega, utilizando-se de concorrência desleal.
Art.62º-Aceitar, sem anuência do Conselho Regional de Enfermagem, cargo, função ou emprego vago em decorrência do previsto no art.41.
Art.63º-Permitir que seu nome conste no quadro de pessoal de hospital, casa de saúde, unidade sanitária, clínica, ambulatório, escola, curso, empresa ou estabelecimento congênere sem nele exercer as funções de Enfermagem pressupostas.
Art.64º-Assinar as ações de Enfermagem que não executou, bem como permitir que outro profissional assine as que executou.
Art.65º-Receber vantagens de instituição, empresa ou de cliente, além do que lhe é devido, como forma de garantir Assistência de Enfermagem diferenciada ou benefícios de qualquer natureza para si ou para outrem.
Art.66º- Colaborar direta ou indiretamente com outros profissionais de saúde, no descumprimento da legislação referente aos transplantes de órgão, tecidos, esterilização ou fecundação artificial.
Art.67º-Usar de qualquer mecanismo de pressão e/ou suborno com pessoas físicas e/ou jurídicas para conseguir qualquer tipo de vantagens.
Art.68º-Utilizar de forma abusiva, o poder que lhe confere a posição ou cargo, para impor ordens, opiniões, inferiorizar as pessoas e/ou dificultar o Exercício Profissional.
Art.69º-Ser conivente com crime, contravenção penal ou ato praticado por membro da Equipe de Trabalho, que infrinja o postulado ético profissional.
Art.70º-Denegrir a imagem do colega e/ou outro membro da equipe de saúde, entidade de classe e/ou de Instituição onde trabalha.
Capítulo V I
DOS DEVERES DISCIPLINARES
Art.71º-Cumprir as normas dos Conselhos Federal e Regional de Enfermagem
Art.72º-Atender as convocações dos Conselhos Federal e Regionais de Enfermagem, no prazo determinado.
Art.73º-Facilitar a fiscalização do Exercício Profissional.
Art.74º-Manter-se regularizado com suas obrigações financeiras com o Conselho Regional de Enfermagem.
Art.75º-Apor o número de inscrição do Conselho Regional de Enfermagem em sua assinatura, quando no Exercício Profissional.
Art.76º-Facilitar a participação dos Profissionais de Enfermagem no desempenho de atividades nos órgãos de classe.
Art.77º-Facilitar o desenvolvimento das atividades de ensino e pesquisa, devidamente aprovadas.
Art.78º-Não apropriar-se de dinheiro, valor ou qualquer bem imóvel, público ou particular de que tenha posse, em razão do cargo, ou desviá-lo em proveito próprio ou de outrem.
Art.78º-Não apropriar-se de dinheiro, valor ou qualquer bem imóvel, público ou particular de que tenha posse, em razão do cargo, ou desviá-lo em proveito próprio ou de outrem.
Capítulo V I I
DAS INFRAÇÕES E PENALIDADES
Art.79º-A caracterização das infrações éticas e disciplinares e a aplicação das respectivas penalidades regem-se por este Código, sem prejuízo das sanções previstas em outros dispositivos legais.
Art.80º-Considera-se infração Ética a ação, omissão ou conivência que implique em desobediência e/ou inobservância às disposições do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem.
Art.81º-Considera-se infração disciplinar a inobservância das normas dos Conselhos Federal e Regionais de Enfermagem.
Art.82º-Responde pela infração quem a cometer ou concorrer para a sua prática, ou dela obtiver benefício, quando cometida por outrem.
Art.83º-A gravidade da infração é caracterizada através da análise dos fatos e causas do dano, suas conseqüências e dos antecedentes do infrator.
Art.84º-A infração é apurada em processo instaurado e conduzido nos termos deste Código.
Art.85º-As penalidades a serem impostas pelos Conselhos Federal e Regionais de Enfermagem, conforme o que determina o art.18, da Lei nº 5.905, de 12 de julho de 1973, são as seguintes:
I-Advertência verbal.
II- Multa
III-Censura.
IV-Suspensão do Exercício Profissional.
V-Cassação do direito ao Exercício Profissional
Parágrafo primeiro – A ADVERTÊNCIA VERBAL consiste numa admoestação ao infrator, de forma reservada, que será registrada no Prontuário do mesmo, na presença de duas testemunhas.
Parágrafo segundo - A MULTA consiste na obrigatoriedade de pagamento de 01(um) a 10(dez) vezes o valor da anuidade da categoria profissional a qual pertence o infrator, em vigor no ato do pagamento.
Parágrafo terceiro – A CENSURA consiste em repreensão que será divulgada nas publicações oficiais dos Conselhos Federal e Regionais de Enfermagem.
Parágrafo quarto – A SUSPENSÃO consiste na proibição do exercício da enfermagem por um período não superior a 29(vinte e nove) dias e será divulgada nas publicações oficiais dos Conselhos Federal e Regionais de Enfermagem.
Parágrafo quinto – A CASSAÇÃO consiste na perda do direito ao exercício da enfermagem e será divulgada nas publicações dos Conselhos Federal e Regionais de Enfermagem e em jornais de grande circulação.
Art. 86º - As penalidades de advertência verbal, multa, censura e suspensão do exercício profissional são da alçada dos Conselhos Regionais de Enfermagem; a pena de cassação do direito ao exercício profissional é de competência do Conselho Federal de Enfermagem, conforme o disposto no Art. 18, parágrafo primeiro, da Lei nº 5.905/73.
Parágrafo único – Na situação em que o processo tiver origem no Conselho Federal de Enfermagem, terá como instância superior a Assembléia dos Delegados Regionais.
Art.87º - Para a graduação da penalidade e respectiva imposição consideram-se:
I – A maior ou menor gravidade da infração.
II – As circunstâncias agravantes e atenuantes da infração.
III – O dano causado e suas conseqüências.
IV – Os antecedentes do infrator.
Art.88º - As infrações serão consideradas leves, graves ou gravíssimas, conforme a natureza do ato e a circunstância de cada caso. Parágrafo primeiro– São consideradas infrações leves as que ofendam a integridade física, mental ou moral de qualquer pessoa, sem causar debilidade.
Parágrafo segundo – São consideradas infrações graves as que provoquem perigo de vida, debilidade temporária de membro, sentido ou função em qualquer pessoa.
Parágrafo terceiro – São consideradas infrações gravíssimas as que provoquem morte, deformidade permanente, perda ou inutilização de membro, sentido, função ou ainda, dano moral irremediável em qualquer pessoa.
Art.89º- São consideradas circunstâncias atenuantes:
I- Ter o infrator procurado, logo após infração, por sua espontânea vontade e com eficiência, evitar ou minorar as conseqüências do seu ato.
II- Ter bons antecedentes profissionais.
III- Realizar atos sob coação e/ou intimidação.
IV- Realizar atos sob emprego real de força física.
V- Ter confessado espontâneamente a autoria da infração.
Art.90º-São consideradas circunstâncias agravantes:
I- Ser reincidente.
II- Causar danos irreparáveis.
III- Cometer infração dolosamente.
IV- Cometer a infração por motivo fútil ou torpe.
V- Facilitar ou assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou a vantagem de outra infração.
VI- Aproveitar-se da fragilidade da vítima.
VII- Cometer a infração com abuso de autoridade ou violação do dever inerente ao cargo ou função.
VIII- Ter maus antecedentes pessoais e/ou profissionais.
Capítulo VI I I
DA APLICAÇÃO DAS PENALIDADES
Art.91º- As penalidades previstas neste Código somente poderão ser aplicadas, cumulativamente, quando houver infração a mais de um artigo.
Art.92º- A pena de ADVERTÊNCIA VERBAL é aplicável nos casos de infrações ao que está estabelecido nos artigos:16 a 26; 28 a 35; 37 a 44; 47 a 50; 52; 54; 56; 58 a 62 e 64 a 78 deste Código.
Art.93º-A pena de MULTA é aplicável nos casos de infrações ao que está estabelecido nos artigos 16 a
75 e 77 a 79 deste Código.
Art.94º-A pena de CENSURA é aplicável nos casos de infrações ao que está estabelecido nos artigos:
16; 17; 21 a 29; 32; 35 a 37; 42; 43; 45 a 53; 55 a 75 e 77 a 79 deste Código.
Art.95º- A pena de SUSPENSÃO DO EXERCÍCIO PROFISSIONAL é aplicável nos casos de infrações ao que está estabelecido nos artigos: 16; 17; 21 a 25; 29; 32; 36; 42; 43; 45 a 48; 50 a 53; 57 a 60; 63; 66; 67; 70 a 72; 75 a 79 deste Código.
Art.96º-A pena de CASSAÇÃO DO DIREITO AO EXERCÍCIO PROFISSIONAL é aplicável nos casos de infrações ao que está estabelecido nos artigos: 16; 24;36;42; 45; 46; 51 a 53; 57 a 60; 70 a 79 deste Código.
Capítulo I X
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 97º - Os casos omissos serão resolvidos pelo Conselho Federal de Enfermagem.
Art. 98º - Este Código poderá ser alterado pelo Conselho Federal de Enfermagem, por iniciativa própria e/ou mediante proposta de Conselhos Regionais
Parágrafo único - A alteração referida deve ser precedida da ampla discussão com a categoria.
Art. 99 º- O presente Código entrará em vigor na data da publicação e revoga o Código de Deontologia
de Enfermagem, aprovado pela Resolução COFEN-9, de 04.10.75 e o Código de Infrações e Penalidades, aprovado pela Resolução COFEN-51, de 24.03.79 e demais disposições em contrário.
SAÚDE NO FOCO
O termo Ética refere-se aos padrões de conduta moral, isto é, padrões de comportamento relativos ao paciente, ao patrão e aos colegas de trabalho. Ter boa capacidade de discernimento significa saber o que é certo e o que é errado, e como agir para chegar ao equilíbrio.
Os profissionais de enfermagem são regidos pelo código de ética da enfermagem que segue.
Capitulo I
DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
Art.1º- A Enfermagem é uma profissão comprometida com a saúde do ser humano e da coletividade. Atua na promoção, proteção, recuperação da saúde e reabilitação das pessoas, respeitando os preceitos éticos e legais.
Art.2º - O Profissional de Enfermagem participa, como integrante da sociedade, das ações que visem satisfazer às necessidades de saúde da população.
Art.3º - O Profissional de Enfermagem respeita a vida, a dignidade e os direitos da pessoa humana, em todo o seu ciclo vital, sem discriminação de qualquer natureza.
Art.4º - O Profissional de Enfermagem exerce suas atividades com justiça competência, responsabilidade e honestidade.
Art.5º - O Profissional de Enfermagem presta assistência à saúde visando a promoção do ser humano como um todo.
Art.6º - O Profissional de Enfermagem exerce a profissão com autonomia, respeitando os preceitos legais da Enfermagem.
Capitulo I I
DOS DIREITOS
Art.7º - Recusar-se a executar atividades que não sejam de sua competência legal.
Art.8º - Ser informado sobre o diagnóstico provisório ou definitivo de todos os clientes que estejam sob sua assistência.
Art.9º - Recorrer ao Conselho Regional de Enfermagem, quando impedido de cumprir o presente
Código de Lei do Exercício Profissional.
Art.10º - Participar de movimentos reivindicatórios por melhores condições de assistência, de trabalho e remuneração.
Art. 11º - Suspender suas atividades, individual ou coletivamente, quando a instituição pública ou privada para a qual trabalhe não oferecer condições mínimas para o exercício profissional, ressalvadas as situações de urgência e emergência, devendo comunicar imediatamente sua decisão ao Conselho Regional de Enfermagem.
Parágrafo único - Ao cliente sob sua responsabilidade, deve ser garantida a continuidade da assistência de Enfermagem.
Art.12º - Receber salários ou honorários pelo seu trabalho que deverá corresponder, no mínimo, ao fixado por legislação específica.
Art. 13º - Associar-se, exercer cargos e participar das atividades de Entidades de Classe.
Art. 14º - Atualizar seus conhecimentos técnicos, científicos e culturais.
Art. 15º - Apoiar as iniciativas que visem o aprimoramento profissional, cultural e a defesa dos legítimos interesses da classe.
Capítulo I I I
DAS RESPONSABILIDADES
Art.16º - Assegurar ao cliente uma Assistência de Enfermagem livre de danos decorrentes de imperícia, negligência ou imprudência.
Art.17º - Avaliar criteriosamente sua competência técnica e legal e somente aceitar encargos ou atribuições, quando capaz de desempenho seguro para si e para a clientela.
Art.18º - Manter-se atualizado ampliando seus conhecimentos técnicos, científicos e culturais, em benefício da clientela, coletividade e do desenvolvimento da profissão.
Art. 19º - Promover e/ou facilitar o aperfeiçoamento técnico, científico e cultural do pessoal sob sua orientação ou supervisão.
Art. 20º - Responsabilizar-se por falta cometida em suas atividades profissionais, independente de ter sido praticada individualmente ou em equipe.
Capítulo I V
DOS DEVERES
Art.21º- Cumprir e fazer cumprir os preceitos éticos e leais da profissão.
Art.22º- Exercer a Enfermagem com justiça, competência, responsabilidade e honestidade.
Art.23º- Prestar Assistência de Enfermagem à clientela, sem discriminação de qualquer natureza.
Art.24º- Prestar à clientela uma Assistência de Enfermagem livre de riscos decorrentes de imperícia, negligência e imprudência.
Art.25º- Garantir a continuidade da Assistência de Enfermagem.
Art.26º-Prestar adequadas informações ao cliente e família a respeito da assistência de Enfermagem, possíveis benefícios, riscos e conseqüências que possam ocorrer.
Art.27º-Respeitar e recorrer o direito do cliente de decidir sobre sua pessoa, seu tratamento e seu bem estar.
Art.28º- Respeitar o natural pudor, a privacidade e a intimidade do cliente.
Art.29º- Manter segredo sobre fato sigiloso de que tenha conhecimento em razão de sua atividade profissional, exceto nos casos previstos em Lei.
Art.30º - Colaborar com a Equipe de Saúde no esclarecimento do cliente e família sobre o seu estado de saúde e tratamento, possíveis benefícios, riscos e conseqüências que possam ocorrer.
Art.31º- Colaborar com a Equipe de Saúde na orientação do cliente ou responsável, sobre os riscos dos exames ou de outros procedimentos aos quais se submeterá.
Art.32º- Respeitar o ser humano na situação de morte ou pós-morte.
Art.33º- Proteger o cliente contra danos decorrentes de imperícia, negligência ou imprudência por parte de qualquer membro da equipe de saúde.
Art.34º-Colocar seus serviços profissionais a disposição da comunidade em casos de emergência, epidemia e catástrofe, sem pleitear vantagens pessoais.
Art.35º - Solicitar consentimento do cliente ou do seu representante legal, de preferência por escrito, para realizar ou participar de pesquisa ou atividade de ensino em Enfermagem, mediante a apresentação da informação completa dos objetivos, riscos e benefícios, da garantia do anonimato e sigilo, do respeito a privacidade e intimidade e a sua liberdade de participar ou declinar de sua participação no momento que desejar.
Art.36º - Interromper a pesquisa na presença de qualquer perigo à vida e a integridade da pessoa humana.
Art. 37º - Ser honesto no relatório dos resultados de pesquisa.
Art.38º - Tratar os colegas e outros profissionais com respeito e consideração.
Art.39º- Alertar o profissional quando diante de falta cometida por imperícia, imprudência ou negligência.
Art.40º - Comunicar ao Conselho Regional de Enfermagem, fatos que infrinjam preceitos do presente Código e da Lei do Exercício Profissional.
Art.41º - Comunicar formalmente ao Conselho Regional de Enfermagem fatos que envolvam recusa ou demissão de cargo, função ou emprego, motivados pela necessidade do profissional em preservar os Postulados Éticos e legais da profissão.
Capítulo V
DAS PROIBIÇÕES
Art.42º- Negar assistência de Enfermagem em caso de urgência ou emergência.
Art.43º- Abandonar o cliente em meio a tratamento sem garantia de continuidade de assistência.
Art.44º-Participar de tratamento sem consentimento do cliente ou representante legal, exceto em iminente risco de vida.
Art.45º-Provocar aborto, ou cooperar em prática destinada a interromper a gestação.
Parágrafo único- Nos casos previstos em Lei, o profissional deverá decidir, de acordo com a sua consciência, sobre a sua participação ou não no ato abortivo.
Art.46º-Promover a eutanásia ou cooperar em prática destinada a antecipar a morte do cliente.
Art.47º- Administrar medicamento sem certificar-se da natureza da droga que compõe e da existência de risco para o cliente.
Art.48º-Prescrever medicamentos ou praticar ato cirúrgico, exceto os previstos na legislação vigente em casos de emergência.
Art.49º-Executar a Assistência de Enfermagem sem o consentimento do cliente ou seu representante legal, exceto em iminente risco de vida.
Art. 50º-Executar prescrições terapêuticas quando contrárias à segurança do cliente
Art. 51º-Prestar ao cliente serviços que por sua natureza incumbem a outro profissional, exceto em caso de emergência.
Art.52º- Provocar, cooperar ou ser conivente com maus tratos.
Art.53º-Realizar ou participar de pesquisa ou atividade de ensino, em que o direito inalienável do homem seja desrespeitado ou acarrete perigo de vida ou dano à sua saúde.
Parágrafo único - A participação do Profissional de Enfermagem, nas pesquisas experimentais, dever ser precedida de consentimento, por escrito, do cliente ou seu representante legal.
Art.54º-Publicar trabalho com elementos que identifiquem o cliente, sem sua autorização.
Art.55º-Publicar, em seu nome, trabalho científico do qual não tenha participado ou omitir em publicações, nome de colaboradores e/ou orientadores.
Art.56º- Utilizar-se sem referência ao autor ou sem autorização expressa, de dados, informações, ou opiniões ainda não publicados.
Art.57º - Sobrepor o interesse da ciência ao interesse e segurança da pessoa humana.
Art.58º-Determinar a execução de atos contrários ao Código de Ética e demais legislações que regulamentam o Exercício da Enfermagem.
Art.59º-Trabalhar e/ou colaborar com pessoas físicas e/ou jurídicas que desrespeitem princípios Éticos de Enfermagem.
Art.60º-Acumpliciar-se com pessoas ou instituições que exerçam ilegalmente atividades de Enfermagem.
Art.61º-Pleitear cargo, função ou emprego ocupado por colega, utilizando-se de concorrência desleal.
Art.62º-Aceitar, sem anuência do Conselho Regional de Enfermagem, cargo, função ou emprego vago em decorrência do previsto no art.41.
Art.63º-Permitir que seu nome conste no quadro de pessoal de hospital, casa de saúde, unidade sanitária, clínica, ambulatório, escola, curso, empresa ou estabelecimento congênere sem nele exercer as funções de Enfermagem pressupostas.
Art.64º-Assinar as ações de Enfermagem que não executou, bem como permitir que outro profissional assine as que executou.
Art.65º-Receber vantagens de instituição, empresa ou de cliente, além do que lhe é devido, como forma de garantir Assistência de Enfermagem diferenciada ou benefícios de qualquer natureza para si ou para outrem.
Art.66º- Colaborar direta ou indiretamente com outros profissionais de saúde, no descumprimento da legislação referente aos transplantes de órgão, tecidos, esterilização ou fecundação artificial.
Art.67º-Usar de qualquer mecanismo de pressão e/ou suborno com pessoas físicas e/ou jurídicas para conseguir qualquer tipo de vantagens.
Art.68º-Utilizar de forma abusiva, o poder que lhe confere a posição ou cargo, para impor ordens, opiniões, inferiorizar as pessoas e/ou dificultar o Exercício Profissional.
Art.69º-Ser conivente com crime, contravenção penal ou ato praticado por membro da Equipe de Trabalho, que infrinja o postulado ético profissional.
Art.70º-Denegrir a imagem do colega e/ou outro membro da equipe de saúde, entidade de classe e/ou de Instituição onde trabalha.
Capítulo V I
DOS DEVERES DISCIPLINARES
Art.71º-Cumprir as normas dos Conselhos Federal e Regional de Enfermagem
Art.72º-Atender as convocações dos Conselhos Federal e Regionais de Enfermagem, no prazo determinado.
Art.73º-Facilitar a fiscalização do Exercício Profissional.
Art.74º-Manter-se regularizado com suas obrigações financeiras com o Conselho Regional de Enfermagem.
Art.75º-Apor o número de inscrição do Conselho Regional de Enfermagem em sua assinatura, quando no Exercício Profissional.
Art.76º-Facilitar a participação dos Profissionais de Enfermagem no desempenho de atividades nos órgãos de classe.
Art.77º-Facilitar o desenvolvimento das atividades de ensino e pesquisa, devidamente aprovadas.
Art.78º-Não apropriar-se de dinheiro, valor ou qualquer bem imóvel, público ou particular de que tenha posse, em razão do cargo, ou desviá-lo em proveito próprio ou de outrem.
Art.78º-Não apropriar-se de dinheiro, valor ou qualquer bem imóvel, público ou particular de que tenha posse, em razão do cargo, ou desviá-lo em proveito próprio ou de outrem.
Capítulo V I I
DAS INFRAÇÕES E PENALIDADES
Art.79º-A caracterização das infrações éticas e disciplinares e a aplicação das respectivas penalidades regem-se por este Código, sem prejuízo das sanções previstas em outros dispositivos legais.
Art.80º-Considera-se infração Ética a ação, omissão ou conivência que implique em desobediência e/ou inobservância às disposições do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem.
Art.81º-Considera-se infração disciplinar a inobservância das normas dos Conselhos Federal e Regionais de Enfermagem.
Art.82º-Responde pela infração quem a cometer ou concorrer para a sua prática, ou dela obtiver benefício, quando cometida por outrem.
Art.83º-A gravidade da infração é caracterizada através da análise dos fatos e causas do dano, suas conseqüências e dos antecedentes do infrator.
Art.84º-A infração é apurada em processo instaurado e conduzido nos termos deste Código.
Art.85º-As penalidades a serem impostas pelos Conselhos Federal e Regionais de Enfermagem, conforme o que determina o art.18, da Lei nº 5.905, de 12 de julho de 1973, são as seguintes:
I-Advertência verbal.
II- Multa
III-Censura.
IV-Suspensão do Exercício Profissional.
V-Cassação do direito ao Exercício Profissional
Parágrafo primeiro – A ADVERTÊNCIA VERBAL consiste numa admoestação ao infrator, de forma reservada, que será registrada no Prontuário do mesmo, na presença de duas testemunhas.
Parágrafo segundo - A MULTA consiste na obrigatoriedade de pagamento de 01(um) a 10(dez) vezes o valor da anuidade da categoria profissional a qual pertence o infrator, em vigor no ato do pagamento.
Parágrafo terceiro – A CENSURA consiste em repreensão que será divulgada nas publicações oficiais dos Conselhos Federal e Regionais de Enfermagem.
Parágrafo quarto – A SUSPENSÃO consiste na proibição do exercício da enfermagem por um período não superior a 29(vinte e nove) dias e será divulgada nas publicações oficiais dos Conselhos Federal e Regionais de Enfermagem.
Parágrafo quinto – A CASSAÇÃO consiste na perda do direito ao exercício da enfermagem e será divulgada nas publicações dos Conselhos Federal e Regionais de Enfermagem e em jornais de grande circulação.
Art. 86º - As penalidades de advertência verbal, multa, censura e suspensão do exercício profissional são da alçada dos Conselhos Regionais de Enfermagem; a pena de cassação do direito ao exercício profissional é de competência do Conselho Federal de Enfermagem, conforme o disposto no Art. 18, parágrafo primeiro, da Lei nº 5.905/73.
Parágrafo único – Na situação em que o processo tiver origem no Conselho Federal de Enfermagem, terá como instância superior a Assembléia dos Delegados Regionais.
Art.87º - Para a graduação da penalidade e respectiva imposição consideram-se:
I – A maior ou menor gravidade da infração.
II – As circunstâncias agravantes e atenuantes da infração.
III – O dano causado e suas conseqüências.
IV – Os antecedentes do infrator.
Art.88º - As infrações serão consideradas leves, graves ou gravíssimas, conforme a natureza do ato e a circunstância de cada caso. Parágrafo primeiro– São consideradas infrações leves as que ofendam a integridade física, mental ou moral de qualquer pessoa, sem causar debilidade.
Parágrafo segundo – São consideradas infrações graves as que provoquem perigo de vida, debilidade temporária de membro, sentido ou função em qualquer pessoa.
Parágrafo terceiro – São consideradas infrações gravíssimas as que provoquem morte, deformidade permanente, perda ou inutilização de membro, sentido, função ou ainda, dano moral irremediável em qualquer pessoa.
Art.89º- São consideradas circunstâncias atenuantes:
I- Ter o infrator procurado, logo após infração, por sua espontânea vontade e com eficiência, evitar ou minorar as conseqüências do seu ato.
II- Ter bons antecedentes profissionais.
III- Realizar atos sob coação e/ou intimidação.
IV- Realizar atos sob emprego real de força física.
V- Ter confessado espontâneamente a autoria da infração.
Art.90º-São consideradas circunstâncias agravantes:
I- Ser reincidente.
II- Causar danos irreparáveis.
III- Cometer infração dolosamente.
IV- Cometer a infração por motivo fútil ou torpe.
V- Facilitar ou assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou a vantagem de outra infração.
VI- Aproveitar-se da fragilidade da vítima.
VII- Cometer a infração com abuso de autoridade ou violação do dever inerente ao cargo ou função.
VIII- Ter maus antecedentes pessoais e/ou profissionais.
Capítulo VI I I
DA APLICAÇÃO DAS PENALIDADES
Art.91º- As penalidades previstas neste Código somente poderão ser aplicadas, cumulativamente, quando houver infração a mais de um artigo.
Art.92º- A pena de ADVERTÊNCIA VERBAL é aplicável nos casos de infrações ao que está estabelecido nos artigos:16 a 26; 28 a 35; 37 a 44; 47 a 50; 52; 54; 56; 58 a 62 e 64 a 78 deste Código.
Art.93º-A pena de MULTA é aplicável nos casos de infrações ao que está estabelecido nos artigos 16 a
75 e 77 a 79 deste Código.
Art.94º-A pena de CENSURA é aplicável nos casos de infrações ao que está estabelecido nos artigos:
16; 17; 21 a 29; 32; 35 a 37; 42; 43; 45 a 53; 55 a 75 e 77 a 79 deste Código.
Art.95º- A pena de SUSPENSÃO DO EXERCÍCIO PROFISSIONAL é aplicável nos casos de infrações ao que está estabelecido nos artigos: 16; 17; 21 a 25; 29; 32; 36; 42; 43; 45 a 48; 50 a 53; 57 a 60; 63; 66; 67; 70 a 72; 75 a 79 deste Código.
Art.96º-A pena de CASSAÇÃO DO DIREITO AO EXERCÍCIO PROFISSIONAL é aplicável nos casos de infrações ao que está estabelecido nos artigos: 16; 24;36;42; 45; 46; 51 a 53; 57 a 60; 70 a 79 deste Código.
Capítulo I X
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 97º - Os casos omissos serão resolvidos pelo Conselho Federal de Enfermagem.
Art. 98º - Este Código poderá ser alterado pelo Conselho Federal de Enfermagem, por iniciativa própria e/ou mediante proposta de Conselhos Regionais
Parágrafo único - A alteração referida deve ser precedida da ampla discussão com a categoria.
Art. 99 º- O presente Código entrará em vigor na data da publicação e revoga o Código de Deontologia
de Enfermagem, aprovado pela Resolução COFEN-9, de 04.10.75 e o Código de Infrações e Penalidades, aprovado pela Resolução COFEN-51, de 24.03.79 e demais disposições em contrário.
SAÚDE NO FOCO
quarta-feira, 28 de julho de 2010
OS SINAIS VITAIS
Sinais vitais são aqueles que evidenciam o funcionamento e as alterações da função corporal. Dentre os inúmeros sinais que são utilizados na prática diária para o auxílio do exame clínico, destacam-se pela sua importância e por nós serão abordados: a pressão arterial, o pulso, a temperatura corpórea e a respiração. Por serem os mesmos relacionados com a própria existência da vida, recebem o nome de sinais vitais.
PRESSÃO ARTERIAL
A pressão ou tensão arterial é um parâmetro de suma importância na investigação diagnóstica, sendo obrigatório em toda consulta de qualquer especialidade; relacionando-se com o coração, traduz o sistema de pressão vigente na árvore arterial. É medida com a utilização do esfigmomanômetro e do estetoscópio.
OS APARELHOS
ESFIGMOMANÔMETRO - É o instrumento utilizado para a medida da pressão arterial. Foi idealizado por três cientistas: VonBasch (1880), Riva-Ricci (1896) e Korotkoff (1905). O tamanho do aparelho depende da circunferência do braço a ser examinado, sendo que a bolsa inflável do manguito deve ter uma largura que corresponda à 40% da circunferência do braço, sendo que seu comprimento deve ser de 80%; manguitos muito curtos ou estreitos podem fornecer leituras falsamente elevadas. O esfigmomanômetro pode ser de coluna de mercúrio para a medida da pressão, ou aneróide. Existem aparelhos semi-automáticos que se utilizam do método auscultatório e oscilométrico, com grau de confiabilidade variável, devido sofrerem com freqüência alterações na calibração.
manômetro
manguito
ESTETOSCÓPIO - Existem vários modelos, porém os principais componentes são: Olivas auriculares: são pequenas peças cônicas que proporcionam uma
perfeita adaptação ao meato auditivo, de modo a criar um sistema fechado entre o ouvido e o aparelho.
Armação metálica: põe em comunicação as peças auriculares com o sistema flexível de borracha; é provida de mola que permite um perfeito ajuste do aparelho.
Tubos de borracha: possuem diâmetro de 0,3 a 0,5 cm. e comprimento de 25 a 30 cm.
Receptores: existem dois tipos fundamentais: o de campânula de 2,5 cm. que é mais sensível aos sons de menor freqüência e o diafragma que dispõe de uma membrana semi-rígida com diâmetro de 3 a 3,5 cm., utilizado para ausculta em geral.
FATORES DETERMINANTES DA PRESSÃO ARTERIAL
A pressão arterial é determinada pela relação PA = DC x RP, onde DC é o débito cardíaco e RP significa resistência periférica, sendo que cada um desses fatores sofre influência de vários outros.
O débito cardíaco é resultante do volume sistólico (VS) multiplicado pela freqüência cardíaca (FC), sendo que o volume sistólico é a quantidade de sangue que é expelida do ventrículo cardíaco em cada sístole (contração); as variações do débito cardíaco são grandes, sendo em média de 5 a 6 litros por minuto, podendo chegar a 30 litros por minuto durante um exercício físico.
A resistência periférica é representada pela vasocontratilidade da rede arteriolar, sendo este fator importante na regulação da pressão arterial mínima ou diastólica; ela é dependente das fibras musculares na camada média dos vasos dos vasos, dos esfíncteres pré-capilares e de substâncias humorais como a angiotensina e catecolamina.
A distensibilidade é uma característica dos grandes vasos, principalmente da aorta que possuem grande quantidade de fibras elásticas. Em cada sístole o sangue é impulsionado para a aorta, acompanhada de uma apreciável energia cinética, que é em parte absorvida pela parede do vaso, fazendo com que a corrente sanguínea progrida de maneira contínua. A diminuição da elasticidade da aorta, como ocorre em pessoas idosas, resulta de aumento da pressão sistólica sem elevação da diastólica.
A volemia interfere de maneira direta e significativa nos níveis da pressão arterial sistólica e diastólica; com a redução da volemia, que ocorre na desidratação e hemorragias, ocorre uma diminuição da pressão arterial.
A viscosidade sangüínea também é um fator determinante, porém de menor importância; nas anemias graves, podemos encontrar níveis mais baixos de pressão arterial, podendo estar elevados na poliglobulia.
TÉCNICA - Após a lavagem das mãos, reunir todo o material e dirigir-se à unidade do paciente, orientando-o para o procedimento. O mesmo deve estar em repouso por pelo menos cinco minutos, em abstenção de fumo ou cafeína nos últimos 30 minutos; o braço selecionado deve estar livre de vestimentas, relaxado e mantido ao nível do coração (aproximadamente no quarto espaço inter-costal); quando o paciente está sentado, coloca-se o braço por sobre uma mesa; a pressão arterial poderá estar falsamente elevada caso a artéria braquial fique abaixo do nível do coração.
O pulso braquial deve ser palpado para o diagnóstico de sua integridade A bolsa inflável deve ser centralizada por sobre a artéria braquial, sendo que a margem inferior do manguito deve permanecer 2,5 cm. acima da prega anti-cubital; prende-se o manguito e posiciona-se o braço de modo que fique levemente fletido.
Método palpatório: insufla-se o manguito, fechando-se a válvula e apertando-se a “pera” rapidamente até o desaparecimentodo pulso radial, verifica-se o valor e acrescenta-se 30 mmHg. Após, desinsufla-se lenta e completamente o manguito até o aparecimento do pulso, o que é considerado a pressão arterial máxima. Desinsufla-se a seguir o manguito rapidamente. O método palpatório só permite a verificação da pressão arterial máxima.
Método auscultatório: coloca-se o diafragma do estetoscópio suavemente por sobre a artéria braquial; insufla-se o manguito suavemente até o nível previamente determinado (30 mmHg acima da pressão arterial máxima verificada pelo método palpatório) e em seguida desinsufla-se lentamente, à uma velocidade de 2 a 3 mmHg por segundo. Verifica-se o nível no qual os ruídos (de Korotkoff) são auscultados, o que corresponde à pressão arterial máxima. Continua-se baixando a pressão até o abafamento das bulhas e a seguir o desaparecimento completo dos ruídos de Korotkoff, o que corresponde à pressão arterial mínima. Em algumas pessoas, o ponto de abafamento e o de desaparecimento ficam muito afastados, e em raras situações chegam a não desaparecer. A diferença entre a pressão arterial máxima e mínima é chamada de pressão de pulso. Durante a ausculta dos ruídos (de Korotkoff), pode existir uma ausência temporária dos mesmos, sendo este fenômeno chamado de hiato auscultatório, comum em hipertensos graves a em patologias da vávula aórtica.
Notas complementares
• variações na posição e na pressão do receptor do estetoscópio interferem com o resultado dos níveis tencionais.
• a pressão arterial deve ser medida em ambos os braços.
• as diferenças de pressão acima de 10 mmHg sugerem obstrução ou compressão arterial do lado de menor pressão
• evitar a congestão das veias do braço, pois dificulta a ausculta
• a roupa da paciente não deve fazer constrição no braço
• a presença de arritmias importantes interfere na medida da PA
• a medida da PA deve ser sempre medida em condições basais.
• a PA pode ser medida nas coxas, porém com manguitos especiais e com o estetoscópio localizado no oco poplíteo
• em pacientes obesos, a maior circunferência do braço determina níveis pressóricos falsamente elevados, sendo conveniente nesses casos a mediada da PA no ante-braço, com o estetoscópio sobre a artéria radial.
• em crianças, na determinação da PA diastólica, leva-se em conta a diminuição dos ruídos de Korotkoff, já que o desaparecimento pode não ocorrer.
VALORES NORMAIS DA PRESSÃO ARTERIAL - Os valores máximos estabelecidos pelo Consenso Brasileiro da Sociedade Brasileira de Cardiologia par indivíduos acima de 18 anos é de 140/90 mmHg. A pressão arterial sistólica como a diastólica podem estar alteradas isolada ou conjuntamente.
VARIAÇÕES FISIOLÓGICAS
Idade - em crianças é nitidamente mais baixos do que em adultos
Sexo - na mulher é pouco mais baixa do que no homem, porém na
prática adotam-se os mesmos valores
Raça - as diferenças em grupos étnicos muito distintos talvez se deva à
condições culturais e de alimentação.
Sono - durante o sono ocorre uma diminuição de cerca de 10% tanto na
sistólica como na diastólica
Emoções - há uma elevação principalmente da sistólica
Exercício físico - provoca intensa elevação da PA, devido ao aumento do
débito cardíaco, existindo curvas normais da elevação da PA durante o
esforço físico. (testes ergométricos).
Alimentação - após as refeições, há discreta elevação, porém sem
significado prático.
Mudança de posição - a resposta normal quando uma pessoa fica em pé ou sai da posição de decúbito, inclui uma queda da PA sistólica de até 15 mmHg e uma leve queda ou aumento da diastólica de 5 a 10 mmHg. Pode ocorrer hipotensão postural (ortostática), que se acompanha de tontura ou síncope; as três causas mais comuns da hipotensão ortostática: depleção do volume intra-vascular, mecanismos vaso-constrictores inadequados e efeito autônomo insuficiente sobre a constrição vascular.
PULSO
A palpação do pulso é um dos procedimentos clínicos mais antigos da prática médica, e representa também um gesto simbólico, pois é um dos primeiros contato físico entre o médico e o paciente.
FISIOLOGIA - Com a contração do ventrículo esquerdo há uma ejeção de um volume de sangue na aorta, e dali, para a árvore arterial, sendo que uma onda de pressão desloca-se rapidamente pelo sistema arterial, onde pode ser percebida como pulso arterial. Portanto o pulso é a contração e expansão alternada de uma artéria
LOCAIS - As artérias em que com freqüência são verificados os pulsos: artéria radial, carótidas, braquial, femurais, pediosas, temporal, poplítea e tibial posterior. Nessas artérias pode ser avaliado: o estado da parede arterial, a freqüência, o ritmo, a amplitude, a tensão e a comparação com a artéria contra-lateral.
PROCEDIMENTO
Lavar as mãos
Orientar o paciente quanto ao procedimento
Colocar o paciente em posição confortável, sentado ou deitado, porém sempre com o braço apoiado
Realizar o procedimento de acordo com a técnica descrita abaixo
Contar durante 1 minuto inteiro
Lavar as mãos
Anotar no prontuário
TÉCNICA - Pulso radial: a artéria radial encontra-se entre a apófise estilóide do rádio e o tendão dos flexores, sendo que para palpá-los emprega-se os dedos indicador e médio, com o polegar fixado no dorso do punho do paciente, sendo que o examinador usa a mão direita para examinar o pulso esquerdo e vice versa.
Pulso carotídeo: as pulsações da carótida são visíveis e palpáveis medialmente aos músculos esternocleidomastoideos. Para sua palpação, devemos colocar o polegar esquerdo (ou o indicador e dedo médio) sobre a carótida direita e vice-versa, no terço inferior do pescoço, adjacente à margem medial do músculo esternocleiomastoideo bem relaxado, aproximadamente ao nível da cartilagem cricóide.
Pulso braquial: colocar a mão oposta por debaixo do cotovelo do paciente e utilizar o polegar para palpar a artéria braquial imediatamente medial ao tendão do músculo bíceps, sendo que o braço do paciente deve repousar com o cotovelo esticado e as palmas da mão para cima.
CARACTERÍSTICAS DO PULSO
PAREDE ARTERIAL - A parede do vaso não deve apresentar tortuosidades, sendo facilmente depressível; na aterosclerose, ocorre deposição de sais de cálcio na parede dos vasos, sendo que à palpação notamos o mesmo endurecido, irregular, tortuoso, recebendo o nome de traquéia de passarinho.
FREQÜÊNCIA - A contagem deve ser sempre feita por um período de 1 minuto, sendo que a freqüência varia com a idade e diversas condições físicas. Na primeira infância varia de 120 a 130 bat/min.; na segunda infância de 80 a 100 e no adulto é considerada normal de 60 a 100 batimentos por minuto, sendo que acima do valor normal, temos a taquisfigmia e abaixo bradisfigmia. Na prática diária, erroneamente usamos os termos respectivamente de taquicardia e bradicardia, pois nem sempre o número de pulsações periféricas corresponde aos batimentos cardíacos. Está aumentada em situações fisiológicas como exercício, emoção, gravidez, ou em situações patológicas como estados febris, hipertiroidismo, hipovolemia entre muitos outros. A bradisfigmia pode ser normal em atletas.
RITMO - É dado pela seqüência das pulsações, sendo que quando ocorrem a intervalos iguais, chamamos de ritmo regular, sendo que se os intervalos são ora mais longos ora mais curtos, o ritmo é irregular. A arritmia traduz alteração do ritmo cardíaco.
AMPLITUDE OU MAGNITUDE - É avaliada pela sensação captada em cada pulsação e está diretamente relacionada com o grau de enchimento da artéria na sístole e esvaziamento na diástole.
TENSÃO OU DUREZA - É avaliada pela compressão progressiva da artéria, sendo que se for pequena a pressão necessária para interromper as pulsações, caracteriza-se um pulso mole. No pulso duro a pressão exercida para desaparecimento do pulso é grande e pode indicar hipertensão arterial.
COMPARAÇÃO COM ARTÉRIA HOMÓLOGA - É sempre obrigatório o exame de pulso da artéria contra-lateral, pois a desigualdade dos pulsos podem identificar lesões anatômicas.
TEMPERATURA
Sabemos ser quase constante, a temperatura no interior do corpo, com uma mínima variação, ao redor de 0,6 graus centígrados, mesmo quando expostos à grandes diferenças de temperatura externa, graças à um complexo sistema chamado termorregulador. Já a temperatura no exterior varia de acordo com condições ambientais. A mesma é medida através do termômetro clínico.
TERMÔMETRO CLÍNICO - Idealizado por Santório, entre os anos 1561 e 1636, é considerado o ponto de partida da utilização de aparelhos simples que permitem obter dados de valor para a complementação do exame clínico.
CONTROLE DA TEMPERATURA CORPORAL - O calor produzido no interior do organismo chega à superfície corporal através dos vasos sangüíneos e se difundem através do plexo sub-cutâneo, que representa até 30% do total do débito cardíaco. O grau de aporte de sangue pela pele é controlado pela constricção ou relaxamento das artérias, sendo que ao chegar na superfície, o calor é transferido do sangue para o meio externo, através de: irradiação, condução e evaporação.
Para que ocorra a irradiação, basta que a temperatura do corpo esteja acima do meio ambiente. A condução ocorre quando há contato com outra superfície, sendo que existe troca de calor até que as temperaturas se igualem. Já o mecanismo pelo qual o corpo troca temperatura com o ar circulante chama-se convecção.
A temperatura é quase que totalmente controlada por mecanismos centrais de retroalimentação que operam através de um centro regulador situado no hipotálamo, mais precisamente através de neurônios localizados na área pré-óptica do hipotálamo, sendo que este centro recebe o nome de centro termo regulador.
Quando há elevação da temperatura, inicia-se uma eliminação do calor, através do estímulo das glândulas sudoríparas e pela vasodilatação; com a sudorese há uma perda importante de calor, sendo que quando ocorre o inverso, ou seja o resfriamento do organismo, são iniciados mecanismos para a manutenção da temperatura, através da constricção dos vasos cutâneos e diminuição da perda por condução, convecção e transpiração.
LOCAIS DE VERIFICAÇÃO DA TEMPERATURA - Os locais onde habitualmente são medidas as temperatura do corpo são: axila, boca, reto e mais raramente a prega inguinal, sendo que além do valor absoluto, as diferenças de temperatura nas diferentes regiões do corpo, possuem valor propedêutico, por exemplo, a temperatura retal maior que a axilar em valores acima de 1 grau, pode ser indicativo de processo inflamatório intra-abdominal.
Na medida oral, o termômetro deverá ser colocado sob a língua, posicionando-o no canto do lábio; a verificação da temperatura oral é contra-indicada em crianças, idosos, pacientes graves, inconscientes, psiquiátricos, portadores de alterações orofaríngeas, após fumar e após ingestão de alimentos quentes ou gelados.
Na temperatura retal, o termômetro deverá possuir bulbo arredondado e ser de maior calibre, sendo contra-indicações para a verificação do método pacientes com cirurgias recente no reto ou períneo ou portadores de processos inflamatórios neste local. É considerada a temperatura mais precisa.
MATERIAL - bandeja, termômetro, algodão, álcool e sacos para algodão seco e úmido.
PROCEDIMENTO
Lavar as mãos
Orientar o paciente quanto ao procedimento
Reunir o material e levar à unidade do paciente
Deixar o paciente deitado ou recostado confortavelmente
Limpar o termômetro com algodão embebido em álcool
Enxugar a axila se for o caso, com as próprias vestimentas do paciente
Descer a coluna de mercúrio até o ponto mais baixo, segurando o
termômetro firmemente e sacudindo-o com cuidado
Colocar o termômetro na axila, se for o caso, mantendo-o com o braço
bem encostado ao tórax
Retirar o termômetro após 5 a 7 minutos
Ler a temperatura na escala
Limpar com algodão embebido em álcool
Lavar as mãos
Anotar no prontuário da paciente
VALORES NORMAIS DA TEMPERATURA - Como dito anteriormente, os locais habituais da medida da temperatura corpórea são: a axila, a boca e o ânus, sendo que existem diferenças fisiológicas entre os locais:
Axilar - 35,5 a 37,0 0C
Bucal - 36,0 a 37,4 0C
Retal - 36,0 a 37,5 0C
A elevação da temperatura acima dos níveis normais recebe o nome de hipertermia e abaixo de hipotermia.
FEBRE - Nada mais é do que a elevação da temperatura acima da normalidade, causada por alterações do centro termo regulador ou por substâncias que interferem com o mesmo. Muitas proteínas ou produtos como as toxinas de bactérias causam elevação da temperatura e são chamadas de substâncias pirogênicas, sendo portanto que a elevação da temperatura ou seja a febre pode ocorrer por infecções, lesões teciduais processos inflamatórios e neoplasias entre as mais importantes.
A febre é apenas a elevação da temperatura, ou seja, um sinal porém a grande maioria das pessoas se ressentem desta elevação apresentando outros sinais e sintomas como: astenia, inapetência, cefaléia, taquicardia, taquipnéia, taquisfigmia, oligúria, dor pelo corpo, calafrios, sudorese, nauseas, vômitos, delírio, confusão mental e até convulsões, principalmente em recém-nascidos e crianças. Ao conjunto desses sinais e sintomas, acompanhado da elevação da temperatura damos o nome de síndrome febril. São raras as pessoas que apresentam febre na ausência de qualquer outro sinal ou sintoma.
SEMIOLOGIA DA FEBRE - As seguintes características da febre devem ser avaliadas: início, intensidade, duração, modo de evolução e término.
INÍCIO - Pode ser súbito, onde percebe-se a elevação brusca da temperatura, sendo que neste caso com freqüência acompanha-se de sinais e sintomas da síndrome febril, ou pode ocorrer de maneira gradual, em que as vezes nem é percebida pelo paciente.
INTENSIDADE - A classificação obedece a temperatura axilar, devendo sempre lembrar que a intensidade também depende da capacidade de reação do organismo, sendo que pacientes extremamente debilitados e idosos podem não responder diante de um processo infeccioso. A intensidade e é assim caracterizada:
febre leve ou febrícula - até 37,5 graus
febre moderada - de 37,5 até 38,5 graus
febre alta ou elevada - acima de 38,5 graus
DURAÇÃO - É uma característica importante, podendo interferir na conduta médica. É dita prolongada quando a duração é maior do que 10 dias, sendo que existem doenças próprias que são responsáveis por esta duração, como a tuberculose, septcemia, endocardite, linfomas entre outras.
MODO DE EVOLUÇÃO - Este dado poderá ser avalizado pela informação do paciente, porém principalmente pela análise diária da temperatura, sendo a mesma registrada em gráficos próprios chamados de gráficos ou quadro térmico, sendo que a anotação pode ser feita no mínimo duas vezes por dia, ou de acordo com a orientação médica.
Febre contínua - aquela que sempre permanece acima do normal, com variações de até 1 grau; exemplo freqüente é a febre da pneumonia
Febre remitente - há hipertermia diária, sendo que as variações são acima de 1 grau; são exemplos a febre dos abcesso, septicemias
Febre intermitente - neste caso, a hipertermia é interrompida por períodos de temperatura normal, que pode ser de alguma medida no mesmo dia, ou um ou mais dias com temperatura normal; é característica da malária.
Febre recorrente ou ondulante - caracteriza-se por períodos de temperatura normal que dura dias, seguido de elevações variáveis da temperatura; são encontradas por exemplo nos portadores de neoplasias malignas.
Término - é dito em crise, quando a febre desaparece subitamente, com freqüência nesses casos acompanhado de sudorese profusa e prostação. Em lise quando a hipertermia desaparece lentamente.
Normal Contínua
Remitente Intermitente
RESPIRAÇÃO
A respiração é a troca de gases dos pulmões com o meio exterior, que tem como objetivo a absorção do oxigênio e eliminação do gás carbônico.
FREQÜÊNCIA - crianças - 30 a 40 movimentos respiratórios/minuto
adulto - 14 a 20 movimentos respiratórios/minuto
ALTERAÇÕES DA RESPIRAÇÃO
Dispnénia: é a respiração difícil, trabalhosa ou curta. É sintoma comum de várias doenças pulmonares e cardíacas; pode ser súbita ou lenta e gradativa.
Ortopnéia: é a incapacidade de respirar facilmente, exceto na posição
ereta.
Taquipnéia : respiração rápida, acima dos valores da normalidade, freqüentemente pouco profunda.
Bradipnéia : respiração lenta, abaixo da normalidade.
Apnéia: ausência da respiração
MATERIAL
Relógio com ponteiro de segundos
Papel e caneta para anotações
TÉCNICA
Lavar as mãos
Orientar o paciente quanto ao exame
Não deixar o paciente perceber que estão sendo contados os movimentos
Contagem pelo período de 1 minuto
Lavar as mãos no término
Anotar no prontuário.
SAÚDE NO FOCO
Sinais vitais são aqueles que evidenciam o funcionamento e as alterações da função corporal. Dentre os inúmeros sinais que são utilizados na prática diária para o auxílio do exame clínico, destacam-se pela sua importância e por nós serão abordados: a pressão arterial, o pulso, a temperatura corpórea e a respiração. Por serem os mesmos relacionados com a própria existência da vida, recebem o nome de sinais vitais.
PRESSÃO ARTERIAL
A pressão ou tensão arterial é um parâmetro de suma importância na investigação diagnóstica, sendo obrigatório em toda consulta de qualquer especialidade; relacionando-se com o coração, traduz o sistema de pressão vigente na árvore arterial. É medida com a utilização do esfigmomanômetro e do estetoscópio.
OS APARELHOS
ESFIGMOMANÔMETRO - É o instrumento utilizado para a medida da pressão arterial. Foi idealizado por três cientistas: VonBasch (1880), Riva-Ricci (1896) e Korotkoff (1905). O tamanho do aparelho depende da circunferência do braço a ser examinado, sendo que a bolsa inflável do manguito deve ter uma largura que corresponda à 40% da circunferência do braço, sendo que seu comprimento deve ser de 80%; manguitos muito curtos ou estreitos podem fornecer leituras falsamente elevadas. O esfigmomanômetro pode ser de coluna de mercúrio para a medida da pressão, ou aneróide. Existem aparelhos semi-automáticos que se utilizam do método auscultatório e oscilométrico, com grau de confiabilidade variável, devido sofrerem com freqüência alterações na calibração.
manômetro
manguito
ESTETOSCÓPIO - Existem vários modelos, porém os principais componentes são: Olivas auriculares: são pequenas peças cônicas que proporcionam uma
perfeita adaptação ao meato auditivo, de modo a criar um sistema fechado entre o ouvido e o aparelho.
Armação metálica: põe em comunicação as peças auriculares com o sistema flexível de borracha; é provida de mola que permite um perfeito ajuste do aparelho.
Tubos de borracha: possuem diâmetro de 0,3 a 0,5 cm. e comprimento de 25 a 30 cm.
Receptores: existem dois tipos fundamentais: o de campânula de 2,5 cm. que é mais sensível aos sons de menor freqüência e o diafragma que dispõe de uma membrana semi-rígida com diâmetro de 3 a 3,5 cm., utilizado para ausculta em geral.
FATORES DETERMINANTES DA PRESSÃO ARTERIAL
A pressão arterial é determinada pela relação PA = DC x RP, onde DC é o débito cardíaco e RP significa resistência periférica, sendo que cada um desses fatores sofre influência de vários outros.
O débito cardíaco é resultante do volume sistólico (VS) multiplicado pela freqüência cardíaca (FC), sendo que o volume sistólico é a quantidade de sangue que é expelida do ventrículo cardíaco em cada sístole (contração); as variações do débito cardíaco são grandes, sendo em média de 5 a 6 litros por minuto, podendo chegar a 30 litros por minuto durante um exercício físico.
A resistência periférica é representada pela vasocontratilidade da rede arteriolar, sendo este fator importante na regulação da pressão arterial mínima ou diastólica; ela é dependente das fibras musculares na camada média dos vasos dos vasos, dos esfíncteres pré-capilares e de substâncias humorais como a angiotensina e catecolamina.
A distensibilidade é uma característica dos grandes vasos, principalmente da aorta que possuem grande quantidade de fibras elásticas. Em cada sístole o sangue é impulsionado para a aorta, acompanhada de uma apreciável energia cinética, que é em parte absorvida pela parede do vaso, fazendo com que a corrente sanguínea progrida de maneira contínua. A diminuição da elasticidade da aorta, como ocorre em pessoas idosas, resulta de aumento da pressão sistólica sem elevação da diastólica.
A volemia interfere de maneira direta e significativa nos níveis da pressão arterial sistólica e diastólica; com a redução da volemia, que ocorre na desidratação e hemorragias, ocorre uma diminuição da pressão arterial.
A viscosidade sangüínea também é um fator determinante, porém de menor importância; nas anemias graves, podemos encontrar níveis mais baixos de pressão arterial, podendo estar elevados na poliglobulia.
TÉCNICA - Após a lavagem das mãos, reunir todo o material e dirigir-se à unidade do paciente, orientando-o para o procedimento. O mesmo deve estar em repouso por pelo menos cinco minutos, em abstenção de fumo ou cafeína nos últimos 30 minutos; o braço selecionado deve estar livre de vestimentas, relaxado e mantido ao nível do coração (aproximadamente no quarto espaço inter-costal); quando o paciente está sentado, coloca-se o braço por sobre uma mesa; a pressão arterial poderá estar falsamente elevada caso a artéria braquial fique abaixo do nível do coração.
O pulso braquial deve ser palpado para o diagnóstico de sua integridade A bolsa inflável deve ser centralizada por sobre a artéria braquial, sendo que a margem inferior do manguito deve permanecer 2,5 cm. acima da prega anti-cubital; prende-se o manguito e posiciona-se o braço de modo que fique levemente fletido.
Método palpatório: insufla-se o manguito, fechando-se a válvula e apertando-se a “pera” rapidamente até o desaparecimentodo pulso radial, verifica-se o valor e acrescenta-se 30 mmHg. Após, desinsufla-se lenta e completamente o manguito até o aparecimento do pulso, o que é considerado a pressão arterial máxima. Desinsufla-se a seguir o manguito rapidamente. O método palpatório só permite a verificação da pressão arterial máxima.
Método auscultatório: coloca-se o diafragma do estetoscópio suavemente por sobre a artéria braquial; insufla-se o manguito suavemente até o nível previamente determinado (30 mmHg acima da pressão arterial máxima verificada pelo método palpatório) e em seguida desinsufla-se lentamente, à uma velocidade de 2 a 3 mmHg por segundo. Verifica-se o nível no qual os ruídos (de Korotkoff) são auscultados, o que corresponde à pressão arterial máxima. Continua-se baixando a pressão até o abafamento das bulhas e a seguir o desaparecimento completo dos ruídos de Korotkoff, o que corresponde à pressão arterial mínima. Em algumas pessoas, o ponto de abafamento e o de desaparecimento ficam muito afastados, e em raras situações chegam a não desaparecer. A diferença entre a pressão arterial máxima e mínima é chamada de pressão de pulso. Durante a ausculta dos ruídos (de Korotkoff), pode existir uma ausência temporária dos mesmos, sendo este fenômeno chamado de hiato auscultatório, comum em hipertensos graves a em patologias da vávula aórtica.
Notas complementares
• variações na posição e na pressão do receptor do estetoscópio interferem com o resultado dos níveis tencionais.
• a pressão arterial deve ser medida em ambos os braços.
• as diferenças de pressão acima de 10 mmHg sugerem obstrução ou compressão arterial do lado de menor pressão
• evitar a congestão das veias do braço, pois dificulta a ausculta
• a roupa da paciente não deve fazer constrição no braço
• a presença de arritmias importantes interfere na medida da PA
• a medida da PA deve ser sempre medida em condições basais.
• a PA pode ser medida nas coxas, porém com manguitos especiais e com o estetoscópio localizado no oco poplíteo
• em pacientes obesos, a maior circunferência do braço determina níveis pressóricos falsamente elevados, sendo conveniente nesses casos a mediada da PA no ante-braço, com o estetoscópio sobre a artéria radial.
• em crianças, na determinação da PA diastólica, leva-se em conta a diminuição dos ruídos de Korotkoff, já que o desaparecimento pode não ocorrer.
VALORES NORMAIS DA PRESSÃO ARTERIAL - Os valores máximos estabelecidos pelo Consenso Brasileiro da Sociedade Brasileira de Cardiologia par indivíduos acima de 18 anos é de 140/90 mmHg. A pressão arterial sistólica como a diastólica podem estar alteradas isolada ou conjuntamente.
VARIAÇÕES FISIOLÓGICAS
Idade - em crianças é nitidamente mais baixos do que em adultos
Sexo - na mulher é pouco mais baixa do que no homem, porém na
prática adotam-se os mesmos valores
Raça - as diferenças em grupos étnicos muito distintos talvez se deva à
condições culturais e de alimentação.
Sono - durante o sono ocorre uma diminuição de cerca de 10% tanto na
sistólica como na diastólica
Emoções - há uma elevação principalmente da sistólica
Exercício físico - provoca intensa elevação da PA, devido ao aumento do
débito cardíaco, existindo curvas normais da elevação da PA durante o
esforço físico. (testes ergométricos).
Alimentação - após as refeições, há discreta elevação, porém sem
significado prático.
Mudança de posição - a resposta normal quando uma pessoa fica em pé ou sai da posição de decúbito, inclui uma queda da PA sistólica de até 15 mmHg e uma leve queda ou aumento da diastólica de 5 a 10 mmHg. Pode ocorrer hipotensão postural (ortostática), que se acompanha de tontura ou síncope; as três causas mais comuns da hipotensão ortostática: depleção do volume intra-vascular, mecanismos vaso-constrictores inadequados e efeito autônomo insuficiente sobre a constrição vascular.
PULSO
A palpação do pulso é um dos procedimentos clínicos mais antigos da prática médica, e representa também um gesto simbólico, pois é um dos primeiros contato físico entre o médico e o paciente.
FISIOLOGIA - Com a contração do ventrículo esquerdo há uma ejeção de um volume de sangue na aorta, e dali, para a árvore arterial, sendo que uma onda de pressão desloca-se rapidamente pelo sistema arterial, onde pode ser percebida como pulso arterial. Portanto o pulso é a contração e expansão alternada de uma artéria
LOCAIS - As artérias em que com freqüência são verificados os pulsos: artéria radial, carótidas, braquial, femurais, pediosas, temporal, poplítea e tibial posterior. Nessas artérias pode ser avaliado: o estado da parede arterial, a freqüência, o ritmo, a amplitude, a tensão e a comparação com a artéria contra-lateral.
PROCEDIMENTO
Lavar as mãos
Orientar o paciente quanto ao procedimento
Colocar o paciente em posição confortável, sentado ou deitado, porém sempre com o braço apoiado
Realizar o procedimento de acordo com a técnica descrita abaixo
Contar durante 1 minuto inteiro
Lavar as mãos
Anotar no prontuário
TÉCNICA - Pulso radial: a artéria radial encontra-se entre a apófise estilóide do rádio e o tendão dos flexores, sendo que para palpá-los emprega-se os dedos indicador e médio, com o polegar fixado no dorso do punho do paciente, sendo que o examinador usa a mão direita para examinar o pulso esquerdo e vice versa.
Pulso carotídeo: as pulsações da carótida são visíveis e palpáveis medialmente aos músculos esternocleidomastoideos. Para sua palpação, devemos colocar o polegar esquerdo (ou o indicador e dedo médio) sobre a carótida direita e vice-versa, no terço inferior do pescoço, adjacente à margem medial do músculo esternocleiomastoideo bem relaxado, aproximadamente ao nível da cartilagem cricóide.
Pulso braquial: colocar a mão oposta por debaixo do cotovelo do paciente e utilizar o polegar para palpar a artéria braquial imediatamente medial ao tendão do músculo bíceps, sendo que o braço do paciente deve repousar com o cotovelo esticado e as palmas da mão para cima.
CARACTERÍSTICAS DO PULSO
PAREDE ARTERIAL - A parede do vaso não deve apresentar tortuosidades, sendo facilmente depressível; na aterosclerose, ocorre deposição de sais de cálcio na parede dos vasos, sendo que à palpação notamos o mesmo endurecido, irregular, tortuoso, recebendo o nome de traquéia de passarinho.
FREQÜÊNCIA - A contagem deve ser sempre feita por um período de 1 minuto, sendo que a freqüência varia com a idade e diversas condições físicas. Na primeira infância varia de 120 a 130 bat/min.; na segunda infância de 80 a 100 e no adulto é considerada normal de 60 a 100 batimentos por minuto, sendo que acima do valor normal, temos a taquisfigmia e abaixo bradisfigmia. Na prática diária, erroneamente usamos os termos respectivamente de taquicardia e bradicardia, pois nem sempre o número de pulsações periféricas corresponde aos batimentos cardíacos. Está aumentada em situações fisiológicas como exercício, emoção, gravidez, ou em situações patológicas como estados febris, hipertiroidismo, hipovolemia entre muitos outros. A bradisfigmia pode ser normal em atletas.
RITMO - É dado pela seqüência das pulsações, sendo que quando ocorrem a intervalos iguais, chamamos de ritmo regular, sendo que se os intervalos são ora mais longos ora mais curtos, o ritmo é irregular. A arritmia traduz alteração do ritmo cardíaco.
AMPLITUDE OU MAGNITUDE - É avaliada pela sensação captada em cada pulsação e está diretamente relacionada com o grau de enchimento da artéria na sístole e esvaziamento na diástole.
TENSÃO OU DUREZA - É avaliada pela compressão progressiva da artéria, sendo que se for pequena a pressão necessária para interromper as pulsações, caracteriza-se um pulso mole. No pulso duro a pressão exercida para desaparecimento do pulso é grande e pode indicar hipertensão arterial.
COMPARAÇÃO COM ARTÉRIA HOMÓLOGA - É sempre obrigatório o exame de pulso da artéria contra-lateral, pois a desigualdade dos pulsos podem identificar lesões anatômicas.
TEMPERATURA
Sabemos ser quase constante, a temperatura no interior do corpo, com uma mínima variação, ao redor de 0,6 graus centígrados, mesmo quando expostos à grandes diferenças de temperatura externa, graças à um complexo sistema chamado termorregulador. Já a temperatura no exterior varia de acordo com condições ambientais. A mesma é medida através do termômetro clínico.
TERMÔMETRO CLÍNICO - Idealizado por Santório, entre os anos 1561 e 1636, é considerado o ponto de partida da utilização de aparelhos simples que permitem obter dados de valor para a complementação do exame clínico.
CONTROLE DA TEMPERATURA CORPORAL - O calor produzido no interior do organismo chega à superfície corporal através dos vasos sangüíneos e se difundem através do plexo sub-cutâneo, que representa até 30% do total do débito cardíaco. O grau de aporte de sangue pela pele é controlado pela constricção ou relaxamento das artérias, sendo que ao chegar na superfície, o calor é transferido do sangue para o meio externo, através de: irradiação, condução e evaporação.
Para que ocorra a irradiação, basta que a temperatura do corpo esteja acima do meio ambiente. A condução ocorre quando há contato com outra superfície, sendo que existe troca de calor até que as temperaturas se igualem. Já o mecanismo pelo qual o corpo troca temperatura com o ar circulante chama-se convecção.
A temperatura é quase que totalmente controlada por mecanismos centrais de retroalimentação que operam através de um centro regulador situado no hipotálamo, mais precisamente através de neurônios localizados na área pré-óptica do hipotálamo, sendo que este centro recebe o nome de centro termo regulador.
Quando há elevação da temperatura, inicia-se uma eliminação do calor, através do estímulo das glândulas sudoríparas e pela vasodilatação; com a sudorese há uma perda importante de calor, sendo que quando ocorre o inverso, ou seja o resfriamento do organismo, são iniciados mecanismos para a manutenção da temperatura, através da constricção dos vasos cutâneos e diminuição da perda por condução, convecção e transpiração.
LOCAIS DE VERIFICAÇÃO DA TEMPERATURA - Os locais onde habitualmente são medidas as temperatura do corpo são: axila, boca, reto e mais raramente a prega inguinal, sendo que além do valor absoluto, as diferenças de temperatura nas diferentes regiões do corpo, possuem valor propedêutico, por exemplo, a temperatura retal maior que a axilar em valores acima de 1 grau, pode ser indicativo de processo inflamatório intra-abdominal.
Na medida oral, o termômetro deverá ser colocado sob a língua, posicionando-o no canto do lábio; a verificação da temperatura oral é contra-indicada em crianças, idosos, pacientes graves, inconscientes, psiquiátricos, portadores de alterações orofaríngeas, após fumar e após ingestão de alimentos quentes ou gelados.
Na temperatura retal, o termômetro deverá possuir bulbo arredondado e ser de maior calibre, sendo contra-indicações para a verificação do método pacientes com cirurgias recente no reto ou períneo ou portadores de processos inflamatórios neste local. É considerada a temperatura mais precisa.
MATERIAL - bandeja, termômetro, algodão, álcool e sacos para algodão seco e úmido.
PROCEDIMENTO
Lavar as mãos
Orientar o paciente quanto ao procedimento
Reunir o material e levar à unidade do paciente
Deixar o paciente deitado ou recostado confortavelmente
Limpar o termômetro com algodão embebido em álcool
Enxugar a axila se for o caso, com as próprias vestimentas do paciente
Descer a coluna de mercúrio até o ponto mais baixo, segurando o
termômetro firmemente e sacudindo-o com cuidado
Colocar o termômetro na axila, se for o caso, mantendo-o com o braço
bem encostado ao tórax
Retirar o termômetro após 5 a 7 minutos
Ler a temperatura na escala
Limpar com algodão embebido em álcool
Lavar as mãos
Anotar no prontuário da paciente
VALORES NORMAIS DA TEMPERATURA - Como dito anteriormente, os locais habituais da medida da temperatura corpórea são: a axila, a boca e o ânus, sendo que existem diferenças fisiológicas entre os locais:
Axilar - 35,5 a 37,0 0C
Bucal - 36,0 a 37,4 0C
Retal - 36,0 a 37,5 0C
A elevação da temperatura acima dos níveis normais recebe o nome de hipertermia e abaixo de hipotermia.
FEBRE - Nada mais é do que a elevação da temperatura acima da normalidade, causada por alterações do centro termo regulador ou por substâncias que interferem com o mesmo. Muitas proteínas ou produtos como as toxinas de bactérias causam elevação da temperatura e são chamadas de substâncias pirogênicas, sendo portanto que a elevação da temperatura ou seja a febre pode ocorrer por infecções, lesões teciduais processos inflamatórios e neoplasias entre as mais importantes.
A febre é apenas a elevação da temperatura, ou seja, um sinal porém a grande maioria das pessoas se ressentem desta elevação apresentando outros sinais e sintomas como: astenia, inapetência, cefaléia, taquicardia, taquipnéia, taquisfigmia, oligúria, dor pelo corpo, calafrios, sudorese, nauseas, vômitos, delírio, confusão mental e até convulsões, principalmente em recém-nascidos e crianças. Ao conjunto desses sinais e sintomas, acompanhado da elevação da temperatura damos o nome de síndrome febril. São raras as pessoas que apresentam febre na ausência de qualquer outro sinal ou sintoma.
SEMIOLOGIA DA FEBRE - As seguintes características da febre devem ser avaliadas: início, intensidade, duração, modo de evolução e término.
INÍCIO - Pode ser súbito, onde percebe-se a elevação brusca da temperatura, sendo que neste caso com freqüência acompanha-se de sinais e sintomas da síndrome febril, ou pode ocorrer de maneira gradual, em que as vezes nem é percebida pelo paciente.
INTENSIDADE - A classificação obedece a temperatura axilar, devendo sempre lembrar que a intensidade também depende da capacidade de reação do organismo, sendo que pacientes extremamente debilitados e idosos podem não responder diante de um processo infeccioso. A intensidade e é assim caracterizada:
febre leve ou febrícula - até 37,5 graus
febre moderada - de 37,5 até 38,5 graus
febre alta ou elevada - acima de 38,5 graus
DURAÇÃO - É uma característica importante, podendo interferir na conduta médica. É dita prolongada quando a duração é maior do que 10 dias, sendo que existem doenças próprias que são responsáveis por esta duração, como a tuberculose, septcemia, endocardite, linfomas entre outras.
MODO DE EVOLUÇÃO - Este dado poderá ser avalizado pela informação do paciente, porém principalmente pela análise diária da temperatura, sendo a mesma registrada em gráficos próprios chamados de gráficos ou quadro térmico, sendo que a anotação pode ser feita no mínimo duas vezes por dia, ou de acordo com a orientação médica.
Febre contínua - aquela que sempre permanece acima do normal, com variações de até 1 grau; exemplo freqüente é a febre da pneumonia
Febre remitente - há hipertermia diária, sendo que as variações são acima de 1 grau; são exemplos a febre dos abcesso, septicemias
Febre intermitente - neste caso, a hipertermia é interrompida por períodos de temperatura normal, que pode ser de alguma medida no mesmo dia, ou um ou mais dias com temperatura normal; é característica da malária.
Febre recorrente ou ondulante - caracteriza-se por períodos de temperatura normal que dura dias, seguido de elevações variáveis da temperatura; são encontradas por exemplo nos portadores de neoplasias malignas.
Término - é dito em crise, quando a febre desaparece subitamente, com freqüência nesses casos acompanhado de sudorese profusa e prostação. Em lise quando a hipertermia desaparece lentamente.
Normal Contínua
Remitente Intermitente
RESPIRAÇÃO
A respiração é a troca de gases dos pulmões com o meio exterior, que tem como objetivo a absorção do oxigênio e eliminação do gás carbônico.
FREQÜÊNCIA - crianças - 30 a 40 movimentos respiratórios/minuto
adulto - 14 a 20 movimentos respiratórios/minuto
ALTERAÇÕES DA RESPIRAÇÃO
Dispnénia: é a respiração difícil, trabalhosa ou curta. É sintoma comum de várias doenças pulmonares e cardíacas; pode ser súbita ou lenta e gradativa.
Ortopnéia: é a incapacidade de respirar facilmente, exceto na posição
ereta.
Taquipnéia : respiração rápida, acima dos valores da normalidade, freqüentemente pouco profunda.
Bradipnéia : respiração lenta, abaixo da normalidade.
Apnéia: ausência da respiração
MATERIAL
Relógio com ponteiro de segundos
Papel e caneta para anotações
TÉCNICA
Lavar as mãos
Orientar o paciente quanto ao exame
Não deixar o paciente perceber que estão sendo contados os movimentos
Contagem pelo período de 1 minuto
Lavar as mãos no término
Anotar no prontuário.
SAÚDE NO FOCO
terça-feira, 27 de julho de 2010
CURSO DE SOCORRISTA
Já estão abertas as matrículas para o curso com o instrutor Fábio Soares.
contato josé luiz
contato josé luiz
quinta-feira, 22 de julho de 2010
CURSO PRÁTICO DE EMERGÊNCIA PRÉ-HOSPITALAR
Nos dias de hoje as empresas, que são os empregadores, precisam (e muito) de um funcionário que execute fielmente e com eficácia o que lhe é determinado. É e justamente por este motivo que a capacitação tem sido garantia de emprego.
Quanto mais capacitado o trabalhador, maiores são as chances dele adentrar no tão concorrido e exigente mercado de trabalho.
Então, mãos à obra! Promova a evolução do que já possui, torne melhor o seu ser ou a sua empresa, para garantir o seu espaço na economia dita como globalizada.
Pensando nisso nós com a parceria da UNIBRASIL S.B.V.T (suporte básico a vida no trauma); Estaremos promovendo o CURSO PRÁTICO DE EMRGÊNCIA PRÉ-HOSPITALAR.
COORDENAÇÃO GERAL: PROF. DR. MARCOS LOMBA ( CREMERJ: 52-34020-2 ) / INSTRUTOR FABIO SOARES.
OBJETIVO: capacitar indivíduos a dar suporte de emergência a vitimas e acidentes.
PROGRAMAÇÃO: ( 20% TEÓRICO / 80% PRÁTICO ) CARGA HORÁRIA: 40HS
1. CHEGADA AO LOCAL DO ACIDENTE
2. ÁNALISE DE RISCOS
3. NEUTRALIZAÇÃO DE RISCOS
4. REMOVER BARREIRAS
5. ROLAMENTO 90º, 180º, 270º ( REALIAMENTO DA VÍTIMA)
6. RECUPERACAO CARDIORESPIRATORIA (MASSAGEM CARDIACA / VENTILACAO)
7. VENTILAÇÃO MECÂNICA ( RESPIRAÇÃO BOCA A BOCA E USO DE AMBU )
8. BIOSSEGURANÇA ( NÃO CONTATO C/ SALIVA, SANGUE OU AR NOS PROCEDIMENTOS )
9. AFOGAMENTOS ( S.A.R.A – SUPORTE ÀGIL PARA RECUPERAÇÃO DE AFOGADOS )
10. QUEIMADURAS: ( PROCEDIMENTOS EMERGÊNCIAIS EM 1º / 2º / 3º / 4º GRAUS )
11. REMOÇÃO DA VITÍMA
12. USO PRANCHA / KED / COLAR CERVICAL
13. HEMOSTASIA – TÉCNICAS PARA ESTANCAMENTO HEMORRÁGICO
14. TRAUMATISMOS / FRATURAS
15. TÉCNICAS DE IMOBILIZAÇÃO C/ CONFECÇÃO DE TALA ( PRÁTICA INDIVIDUAL)
16. DESOBSTRUÇÃO DAS VIAS AÉREAS
17. MANOBRA DE HEIMLICH
18. DESFIBRILAÇÃO EXTERNA AUTOMÁTICA ( TEORIA E PRÁTICA COM D.E.A )
19. PERFURAÇÃO PULMONAR (PNEUMOTÓRAX / CURATIVO DE 3 PONTOS )
20. CHAVE DE RAUTECK
21. SIMULAÇÃO PRÁTICA / PROVA TEÓRICA
OUTROS ASSUNTOS: DESMAIOS SUBITOS, ANGINA NO PEITO, INFARTO DO MIOCARDIO, ELETROCARDIOGRAMA.
FORNECEMOS: APOSTILA, CERTIFICADO, MINI BAG E CARTEIRA DE SOCORRISTA TRAINEE.
PUBLICO ALVO: PROFESSORES, PROFISSIONAIS DA AREA DE SAUDE, POLICIAIS, ATLETAS, BOMBEIROS, TECNICOS DE SEG. DO TRABALHO E TODOS COM ESPIRITO DE SOLIDARIEDADE.
Custo: INSCRIÇÃO R$ 19,90 / 10 X 19,90 CARTÕES ( VISA E MASTER ) OU ÀVISTA R$ 199,90
CONSIDERACOES GERAIS: O CURSO SERA MINISTRADO POR INSTRUTORES DO UNIVERSAL EMERGENCY GROUP, HAVERA AVALIACAO PRATICA DURANTE O CURSO E TESTE NO ULTIMO DIA. A UNIVERSAL EMERGENCY GROUP FORNECERA MATERIAL PARA A PRATICA, TAIS COMO: KED, MANEQUINS, PRANCHA, COLAR CERVICAL, DESFIBRILADOR EXTERNO AUTOMATICO ENTRE OUTROS.
Contatos: Enfermeiro José Luiz cel: ( 027)9848-0808 Linhares
Local: a definir
Matrículas apartir de 01/08/10
Quanto mais capacitado o trabalhador, maiores são as chances dele adentrar no tão concorrido e exigente mercado de trabalho.
Então, mãos à obra! Promova a evolução do que já possui, torne melhor o seu ser ou a sua empresa, para garantir o seu espaço na economia dita como globalizada.
Pensando nisso nós com a parceria da UNIBRASIL S.B.V.T (suporte básico a vida no trauma); Estaremos promovendo o CURSO PRÁTICO DE EMRGÊNCIA PRÉ-HOSPITALAR.
COORDENAÇÃO GERAL: PROF. DR. MARCOS LOMBA ( CREMERJ: 52-34020-2 ) / INSTRUTOR FABIO SOARES.
OBJETIVO: capacitar indivíduos a dar suporte de emergência a vitimas e acidentes.
PROGRAMAÇÃO: ( 20% TEÓRICO / 80% PRÁTICO ) CARGA HORÁRIA: 40HS
1. CHEGADA AO LOCAL DO ACIDENTE
2. ÁNALISE DE RISCOS
3. NEUTRALIZAÇÃO DE RISCOS
4. REMOVER BARREIRAS
5. ROLAMENTO 90º, 180º, 270º ( REALIAMENTO DA VÍTIMA)
6. RECUPERACAO CARDIORESPIRATORIA (MASSAGEM CARDIACA / VENTILACAO)
7. VENTILAÇÃO MECÂNICA ( RESPIRAÇÃO BOCA A BOCA E USO DE AMBU )
8. BIOSSEGURANÇA ( NÃO CONTATO C/ SALIVA, SANGUE OU AR NOS PROCEDIMENTOS )
9. AFOGAMENTOS ( S.A.R.A – SUPORTE ÀGIL PARA RECUPERAÇÃO DE AFOGADOS )
10. QUEIMADURAS: ( PROCEDIMENTOS EMERGÊNCIAIS EM 1º / 2º / 3º / 4º GRAUS )
11. REMOÇÃO DA VITÍMA
12. USO PRANCHA / KED / COLAR CERVICAL
13. HEMOSTASIA – TÉCNICAS PARA ESTANCAMENTO HEMORRÁGICO
14. TRAUMATISMOS / FRATURAS
15. TÉCNICAS DE IMOBILIZAÇÃO C/ CONFECÇÃO DE TALA ( PRÁTICA INDIVIDUAL)
16. DESOBSTRUÇÃO DAS VIAS AÉREAS
17. MANOBRA DE HEIMLICH
18. DESFIBRILAÇÃO EXTERNA AUTOMÁTICA ( TEORIA E PRÁTICA COM D.E.A )
19. PERFURAÇÃO PULMONAR (PNEUMOTÓRAX / CURATIVO DE 3 PONTOS )
20. CHAVE DE RAUTECK
21. SIMULAÇÃO PRÁTICA / PROVA TEÓRICA
OUTROS ASSUNTOS: DESMAIOS SUBITOS, ANGINA NO PEITO, INFARTO DO MIOCARDIO, ELETROCARDIOGRAMA.
FORNECEMOS: APOSTILA, CERTIFICADO, MINI BAG E CARTEIRA DE SOCORRISTA TRAINEE.
PUBLICO ALVO: PROFESSORES, PROFISSIONAIS DA AREA DE SAUDE, POLICIAIS, ATLETAS, BOMBEIROS, TECNICOS DE SEG. DO TRABALHO E TODOS COM ESPIRITO DE SOLIDARIEDADE.
Custo: INSCRIÇÃO R$ 19,90 / 10 X 19,90 CARTÕES ( VISA E MASTER ) OU ÀVISTA R$ 199,90
CONSIDERACOES GERAIS: O CURSO SERA MINISTRADO POR INSTRUTORES DO UNIVERSAL EMERGENCY GROUP, HAVERA AVALIACAO PRATICA DURANTE O CURSO E TESTE NO ULTIMO DIA. A UNIVERSAL EMERGENCY GROUP FORNECERA MATERIAL PARA A PRATICA, TAIS COMO: KED, MANEQUINS, PRANCHA, COLAR CERVICAL, DESFIBRILADOR EXTERNO AUTOMATICO ENTRE OUTROS.
Contatos: Enfermeiro José Luiz cel: ( 027)9848-0808 Linhares
Local: a definir
Matrículas apartir de 01/08/10
quarta-feira, 21 de julho de 2010
CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DO ESPÍRITO SANTO
Lei nº 5.905/73 – Autarquia Federal
Filiado ao Conselho Internacional de Enfermagem - Genebra
Vitória-ES, 19 de julho de 2010
Enfermeiros e sociedade comemoram vitória obtida recentemente na Justiça Federal
Prezados colegas,
Como muitos de vocês já tomaram conhecimento, acabamos de conquistar uma vitória
extraordinária junto ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região (RJ). O TRF reconheceu que os
enfermeiros podem sim prescrever medicamentos e solicitar exames de acordo com a legislação
em vigor.
A decisão foi tomada em uma ação proposta pelo Ministério Público Federal. Na ação o MPF
requereu a ilegalidade da Resolução COFEN nº 195/97 e de duas Portarias das Secretarias de
Saúde de Vitória e de Vila Velha que normatizam a atuação de enfermeiros nos programas e
unidades de saúde dos dois municípios no que diz respeito à solicitação de exames e prescrição de
medicamentos. Em 2008, as duas Portarias haviam sido suspensas por liminar judicial solicitada
pelo Sindicato dos Médicos do Espírito Santo.
Essa não foi a primeira decisão judicial favorável aos enfermeiros. Este ano o Conselho Regional
de Medicina foi condenado a pagar indenização por danos morais a uma enfermeira do PSF de
Vitória e a outra de Iconha. Elas sofreram denúncia infundada de exercício ilegal da medicina,
mas foram inocentadas justamente porque exercem suas funções de acordo com a legislação em
vigor. A justiça foi feita mais uma vez e o CRM, antes acusador, passou para a condição de réu e
acabou condenado a indenizar as enfermeiras.
As sucessivas vitórias judiciais conquistadas pelos enfermeiros, pelo Coren-ES e pelo Cofen, só
reforçam a certeza de que estamos desempenhando nossas funções com responsabilidade e
obediência à lei. E é isso que continuaremos fazendo.
Sabemos que os ataques às atribuições dos enfermeiros vão continuar por algum tempo ainda,
principalmente por parte daqueles que desejam centralizar a assistência à saúde em torno de uma
só profissão. Mas estamos prontos para enfrentar as ações que vierem, e também para banir o
conceito equivocado de que uma profissão é melhor que outra numa equipe multiprofissional. Elas
apenas possuem atribuições diferentes que devem ser respeitadas.
Colega, você tem a qualificação necessária e o amparo legal para solicitar exames, prescrever
medicamentos e realizadas consultas de enfermagem em unidades e programas de saúde. Tem
também o Conselho de Enfermagem a seu lado. Então, não se deixe intimidar. Faça seu trabalho
com segurança e de cabeça erguida. A população precisa de nós.
Sucesso a todos!
Wilton José Patrício
Presidente do Coren-ES
_________________________________________________________________________________________________________________
Sede - Rua Alberto de Oliveira Santos, 42, Sala 1116 - Ed. AMES - Vitória-ES - 29010-901 - Tel.: (27) 3223-7768 / 3222-2930
Subseção São Mateus – Rua João Bento Silvares, 214, loja 03, Centro – 29930-000 - Tel.: (27) 3763-1447
Subseção Cachoeiro de Itapemirim – Pç Jerônimo Monteiro, 93, sl 103, Galeria do Renê, Centro - 29300-174 - Tel.: (28) 3522-4823
Subseção Colatina – Av. Getúlio Vargas, 500, sl 408 – Centro – 29.700-010 – Tel.: (27) 3721-5802
Site: www.coren-es.org.br - E-mail: coren-es@coren-es.org.br - CNPJ 08.332.733/0001-35
Lei nº 5.905/73 – Autarquia Federal
Filiado ao Conselho Internacional de Enfermagem - Genebra
Vitória-ES, 19 de julho de 2010
Enfermeiros e sociedade comemoram vitória obtida recentemente na Justiça Federal
Prezados colegas,
Como muitos de vocês já tomaram conhecimento, acabamos de conquistar uma vitória
extraordinária junto ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região (RJ). O TRF reconheceu que os
enfermeiros podem sim prescrever medicamentos e solicitar exames de acordo com a legislação
em vigor.
A decisão foi tomada em uma ação proposta pelo Ministério Público Federal. Na ação o MPF
requereu a ilegalidade da Resolução COFEN nº 195/97 e de duas Portarias das Secretarias de
Saúde de Vitória e de Vila Velha que normatizam a atuação de enfermeiros nos programas e
unidades de saúde dos dois municípios no que diz respeito à solicitação de exames e prescrição de
medicamentos. Em 2008, as duas Portarias haviam sido suspensas por liminar judicial solicitada
pelo Sindicato dos Médicos do Espírito Santo.
Essa não foi a primeira decisão judicial favorável aos enfermeiros. Este ano o Conselho Regional
de Medicina foi condenado a pagar indenização por danos morais a uma enfermeira do PSF de
Vitória e a outra de Iconha. Elas sofreram denúncia infundada de exercício ilegal da medicina,
mas foram inocentadas justamente porque exercem suas funções de acordo com a legislação em
vigor. A justiça foi feita mais uma vez e o CRM, antes acusador, passou para a condição de réu e
acabou condenado a indenizar as enfermeiras.
As sucessivas vitórias judiciais conquistadas pelos enfermeiros, pelo Coren-ES e pelo Cofen, só
reforçam a certeza de que estamos desempenhando nossas funções com responsabilidade e
obediência à lei. E é isso que continuaremos fazendo.
Sabemos que os ataques às atribuições dos enfermeiros vão continuar por algum tempo ainda,
principalmente por parte daqueles que desejam centralizar a assistência à saúde em torno de uma
só profissão. Mas estamos prontos para enfrentar as ações que vierem, e também para banir o
conceito equivocado de que uma profissão é melhor que outra numa equipe multiprofissional. Elas
apenas possuem atribuições diferentes que devem ser respeitadas.
Colega, você tem a qualificação necessária e o amparo legal para solicitar exames, prescrever
medicamentos e realizadas consultas de enfermagem em unidades e programas de saúde. Tem
também o Conselho de Enfermagem a seu lado. Então, não se deixe intimidar. Faça seu trabalho
com segurança e de cabeça erguida. A população precisa de nós.
Sucesso a todos!
Wilton José Patrício
Presidente do Coren-ES
_________________________________________________________________________________________________________________
Sede - Rua Alberto de Oliveira Santos, 42, Sala 1116 - Ed. AMES - Vitória-ES - 29010-901 - Tel.: (27) 3223-7768 / 3222-2930
Subseção São Mateus – Rua João Bento Silvares, 214, loja 03, Centro – 29930-000 - Tel.: (27) 3763-1447
Subseção Cachoeiro de Itapemirim – Pç Jerônimo Monteiro, 93, sl 103, Galeria do Renê, Centro - 29300-174 - Tel.: (28) 3522-4823
Subseção Colatina – Av. Getúlio Vargas, 500, sl 408 – Centro – 29.700-010 – Tel.: (27) 3721-5802
Site: www.coren-es.org.br - E-mail: coren-es@coren-es.org.br - CNPJ 08.332.733/0001-35
sábado, 17 de julho de 2010
ENFERMAGEM: A EVOLUÇAO NA ARTE DO CUIDAR EM BUSCA DO SEU ESPAÇO NA SOCIEDADE.
ENFERMAGEM: A EVOLUÇAO NA ARTE DO CUIDAR EM BUSCA DO SEU ESPAÇO NA SOCIEDADE.
Partindo do princípio, onde a enfermagem é tida como arte e ciência do cuidar, podendo concluir que a enfermagem está intimamente ligada à vida humana desde a sua origem, podendo então relacioná-la à primeira mulher em que se tem referência: Eva, a esposa de Adão, pois inicialmente o cuidado era realizado de modo instintivo, a mãe que cuida do filho, posteriormente, pelas mulheres que permaneciam nas tribos cuidando das crianças, velhos e doentes, enquanto os homens saem em busca de alimentos, em outras épocas os cuidados eram feitos por sacerdotes, onde as práticas de saúde associavam-se à religião. Quando alguém era curado, sua cura estava relacionada com milagre, se morria era porque era indigno de viver. Nesta emaranhado chegamos á Era Moderna, onde as práticas de enfermagem confundiam-se muitas vezes com as práticas da medicina.
Florence Nighingale, (1820-1910), membro da elite social e econômica e amparada pelo poder político da época, era portadora de grande aptidão vocacional para tratar doentes. Convidada para trabalhar junto aos soldados feridos em combate na Guerra da Criméia (1854-1856) torna-se a precursora da Enfermagem Moderna.
Neste cenário, a enfermagem, ainda vive épocas em que é subordinada à medicina até chegar à sua autonomia profissional. No Brasil, a criação dos Conselhos Federal e Regional de Enfermagem conceituado como autarquias de fiscalização profissional e vinculado ao Ministério do Trabalho ocorre com o sancionamento da Lei 5905, em 1973.
Em 25 de junho de 1986 é criada a Lei 7498, que dispõe sobre o exercício profissional da enfermagem e dá um grande passo para a consolidação da classe profissional no país.
É possível que algumas pessoas ao lerem esta matéria, possam perguntar: o que eu tenho a ver com isso? Eu respondo: Tudo. A partir destas informações, caro leitor e eleitor, gostaria que fizessem uma análise de como anda o serviço de enfermagem em nossa cidade, quantos profissionais de enfermagem temos em nossa cidade? Será que as autoridades locais e os administradores e proprietários das instituições de saúde de nossa cidade estão respeitando esta classe profissional?
Quando você fica doente e vai ao hospital, quem cuida de você? Quando seu filho nasce, quem o veste com sua primeira roupinha, seu primeiro banho, sua primeira vacina, o teste do pezinho…..? Aquelas injeções terríveis e dolorosas, quem aplica? Aquela ferida que você já fez de tudo e não cicatriza, quem cuida? Aquela informação que o médico te deu e você não entenderam, quem explica? Aquela dúvida que você tem, mas que teve vergonha de perguntar ao médico, quem te esclarece? Aquele medicamento que o médico prescreveu e você não sabem como tomar? Aquele medicamento que o médico prescreveu você tomou para curar uma coisa e sentiu outra quem te explica? Você já pensou nisso?
O Ministério da Saúde com a implantação do SUS e a criação da ESF (Estratégia da Saúde da Família) tem hoje, vários protocolos que dão ao enfermeiro a autonomia para exercer atividades que geram qualidade de atendimento à população, em sua cidade isto é respeitado? A você que é mulher, quem colhe seu exame de Papanicolau (o exame de prevenção do câncer de colo de útero) no bairro onde você mora? Existe consulta de enfermagem no seu posto de bairro? Quem faz seu Pré- natal?
Infelizmente falta muito para o enfermeiro ganhar sua autonomia em nossa cidade, parte pela falta de interesse de alguns poucos profissionais que olham apenas para seu próprio umbigo, parte por falta de conhecimento da população da importância desta classe profissional, parte por falta de interesse das autoridades locais, o que é uma pena, pois se não a mais linda, uma das mais lindas das profissões não pode ser deixada de lado.
Precisamos de enfermeiros e profissionais de enfermagem que queiram abraçar a causa da enfermagem e a causa política para que esta classe possa alcançar seu merecido espaço e fazer jus à qualidade da assistência à saúde do nosso povo. Precisamos de políticos que nos apóiem e nos dêem espaço para que possamos crescer enquanto classe profissional e exercermos de fato o nosso papel na sociedade. E então ENFERMEIROS estamos colaborando? a classe esta unida?
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